domingo, 22 de julho de 2012

Crítica do filme: 'Elles'


A apatia da trama, misturada com diálogos mal colocados deixa essa produção longe de agradar a gregos e troianos.

Dirigido pela polonesa Malgorzata Szumowska, ‘Elles’ tinha uma proposta interessante de apresentar a visão de uma jornalista em relação à matéria polêmica que foi lhe dada como missão. A questão que a maneira como fora contada essa história é absolutamente sonolenta e não consegue prender a atenção de quase ninguém. Se não fosse a presença (sempre especial) da atriz francesa Juliette Binoche o espectador tinha quase todos os motivos do mundo para ir embora do cinema.

Na trama, somos guiados pelos olhos de Anne, uma experiente jornalista que começa a investigar uma rede de prostituição. A personagem começa sua missão com entrevistas difíceis e aos poucos começam a aparecer uma série de questionamentos, os quais levam Annie a raciocinar em paralelo com sua própria vida.

Um dos grandes fatores negativos dessa fita é, sem dúvidas, o roteiro. Apresenta muitas falhas, não prende a atenção do público e acaba caindo no ‘mais do mesmo’ deixando escapar uma grande oportunidade de contar uma história diferente, à sua maneira. Malgorzata Szumowska e Tine Byrckel (os roteiristas) não conseguiram transformar uma boa história em um bom filme.

O cinéfilo fica com os olhos atentos na telona quando percebe, ou se esforça para entender a personagem principal. A excelente artista francesa Juliette Binoche tenta de todas as maneiras levar o filme nas costas, em determinados momentos, tentando criar uma espécie de diálogo com os espectadores. Pena que a fraca história atrapalha quase todos os acertos da veterana artista.

Decepção?Sim, exatamente esse é o sentimento quando acaba a fita. A apatia da trama, misturada com diálogos mal colocados deixa essa produção longe de agradar a gregos e troianos.

4 comentários:

  1. Olá Raphael. Me perdoe, não sou a melhor pessoa para criticar e fazer apontamentos diante os filmes/curtas/entre outras tantas coisas que vejo por aí... mas decepção não é exatamente o tipo de sentimento que se tem diante um filme daquele! Elles foi um dos poucos filmes que, de fato, chamam a atenção... não diante a história (peculiar forma de se contar), mas da "tração" que trás ao espectador ao assistir. Apertar as mãos com força nos braços da cadeira. Rs. A senhora que sentava ao meu lado no cinema destruiu o filme antes mesmo dele começar "pedante e dizem que dá sono". Ela saiu com um sorriso no rosto.
    Elles é um filme de identificação. Porém está longe de ser mainstream! É próximo a linearidade de "Shame" (não igual, já levanto a bandeira).
    Uma pena alguém dizer que o filmeé decepcionante. Como li em outro artigo: o filme não tem nada de novo... mas ele faz você sair do cinema e ficar pensando... pensando. Isso é efeito. E o que falta nos filmes de hoje é simplesmente isso. Efeito. Interno.

    Bom mesmo é o Batman pelo jeito. Opnião é opnião. Rs.
    Desculpe, mas eu precisava falar isso depois de ler sua crítica. Obrigado. Abs!

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  2. Após ler sua crítica, também sou obrigado a discordar do que foi apontado por você. Elles em nenhum momento causa sono e acho muito triste que alguém diga que o filme decepciona. O que temos é uma personagem mãe, jornalista, dona de casa, mulher que ao iniciar um trabalho com garotas de programa parece ter uma certa resistência de perceber que tanto ela quanto as meninas são mulheres e que, se o papel muda, a condição, não. Assim como as prostitutas, a personagem central também está rodeada de homens, sejam filhos, pai, marido, chefe...ela também precisa lidar com a dominância/submissão nessa relação homem/mulher. A relação com as garotas faz com que ela repense suas relações e instaura uma crise que não leva a uma solução, porque no final, o que parece, é que resta a cada uma sua própria história. Para essa mulher, única numa familia de quatro homens, parece haver pouco espaço para o prazer individual, esses espaços são sempre solitários (ouvir música, marturbação no banheiro) Na tentativa de fazer algo diferente com o marido, ela acaba caída no chão. Assim, tanto a situação das meninas quanto a dela terminam sendo circulares, não há muito espaço pra fuga por mais que elas reconheçam sua condição, os prazeres e os dissabores. Apesar disso, entre as diferenças do dia a dia, nada as diferencia naquilo que é fundamental - são mulhereres.Sejam presas à condição de esposa/namorada ou prostitutas será sempre o papel da mulher a ser executado 24 horas(cama,cozinha,maternidade, trabalho). Tanto o filho quanto o marido consomem a pornografia relatada pelas garotas. A mãe/dona de casa tampouco está distante desse mundo.Dizer que um filme como Elles não leva a lugar algum é não ter prestado atenção em um filme em que o mais importante está sendo dito nas ENTRELINHAS.

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  3. Gostei do comentário do Anderson. O filme provoca a reflexão da condição feminina, do ser mulher, da sexualidade. A figura central é a mulher, mulher que trabalha, tem marido, filhos e um relacionamento que não satisfaz a ela ou ao parceiro. Situação que a mulher jornalista vai percebendo na medida que conversa, escuta as meninas, aventura e dissabores, se excita mesmo, as vezes se surpreendendo com sua reação frente aos fatos. Os diálogos vão desnudando a moralidade que veste as relações oficiais marido e mulher, ou uma falsa moralidade, o prazer fica do lado de fora, não raro buscado com garotas de programa, pornografia, e poderia ser acrescido,com sexo por telefone, via web e outros canais, salões de beleza, compras.
    O final da trama parece oferecer uma janela de oportunidades, rompida a falsa moral que abrigara o relacionamento até então, testando os dos polos da relação. O café em família do dia seguinte tanto pode ser o retrato da rotina que insiste ou um momento de encontro prazeroso pelas novas descobertas. Mas é certo dizer que o filme se segura pelo desempenho de Juliette Binoche.

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  4. Eles dizem que é um bom filme, agora eu verificar este comentário Acho ainda mais interessante. No actulidad estou esperando a estréia de serie o negocio , uma série que certamente terá a sua terceira temporada em abril, eu gosto dele porque ele representa o prostitucón como uma prática de sucesso e poder no mundo dos negócios.

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