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Crítica do filme: 'À Beira do Caminho'


Até onde o destino te dá uma segunda chance para apagar o passado e criar um novo futuro, a partir dos seus atos no presente? O novo longa nacional, “À Beira do Caminho”, lançado estrategicamente no fim de semana do Dia dos Pais, é um trabalho com emoção à flor da pele embutida na trajetória de um homem em busca de redenção e um menino à procura de seu pai. O filme faz questão de ser comovente, onde muitos dos méritos são oriundos da boa condução da fita pelo diretor Breno Silveira. Mesmo sendo muito longo e com algumas cenas desnecessárias, esconder a verdadeira história, por trás do passado do personagem principal, é uma sacada brilhante desse belo filme nacional.

Na trama, somos guiados pelas estradas da vida e lá conhecemos João, um homem pouco simpático que esconde dentro de si muitos erros, no seu passado triste. Um dia, após ouvir um barulho na traseira de seu caminhão, descobre um menino escondido. Menino esse que tem um único objetivo na vida: encontrar o pai que mora em São Paulo. No começo tudo é muito difícil na relação desses dois, porém, com o passar do tempo uma relação paternal de amizade vai nascendo, levando o experiente caminhoneiro a também busca um novo rumo para sua própria história.

O elenco consegue passar ao público muita verdade, emoção e comove em muitas sequências. João Miguel é um dos melhores atores que temos em nosso cinema. Isso, mais uma vez, fica claro nesse longa. Com um personagem amargurado pelo passado, rabugento por si só, totalmente sem rumo, consegue transbordar emoção ao público a cada nova cena. Seu personagem, também João, é emotivo quando tem que ser e rabugento pela essência. Difícil e excelente trabalho desse artista maravilhoso. Dira Paes ilumina quando em cena. Impressiona com a qualidade de veracidade que saem dos diálogos e expressões dessa linda paraense. Tem um papel complicado, porque muitas vezes não se encaixa com a trama, uma amante que faz parte de muitos momentos importantes da vida do personagem de João Miguel. Mas com um jeitinho que não sabemos explicar, Dira quase vira protagonista e dá mais um show em um filme nacional.

A idéia de usar pára-choques de caminhões para compor partes da trama, como se fossem uma espécie de divisão/partes, é simples e ao mesmo tempo se encaixou muito bem com o contexto. O roteiro (escrito por Patricia Andrade), que parece ser inspirado em letras e canções do rei Roberto Carlos, é objetivo e guarda muitas surpresas o que ajuda muito a ligação com espectador que não consegue desgrudar os olhos da telona, principalmente nos momentos mais profundos em emoção.

Quer se emocionar? Dê uma chance ao nosso cinema, filmes como esse você deve assistir.



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