Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Disparos'


Escrito e dirigido pela cineasta Juliana Reis Disparos é uma grande surpresa dentro do atual cinema nacional, foca em temas polêmicos, muito bem amarrados pelos sábios diálogos que são gerados. Com algumas referências ao cinema nacional, aquela noite bombástica (provavelmente baseado em fatos do cotidiano brasileiro) vai criando paralelos que são utilizados, sabiamente, como flashbacks que auxiliam na compreensão da história. Um filme que você precisa conhecer.

Na trama, somos rapidamente apresentados a um fotógrafo e seu assistente que se envolvem em um acidente que acaba gerando grandes consequências para o primeiro. Com direito a mentiras e muitos pontos de vista diferentes, no desfecho somos surpreendidos exatamente por conta dessa ótica diferenciada de cada personagem sobre aquela noite. O corajoso roteiro é bem estruturado, não parece com outros filmes que vemos no cenário brasileiro. De vez em quando é bom ir na contra mão do que todos fazem. Nesse caso, em relação ao nosso cinema, é fundamental. A originalidade sempre vence, precisamos disso.

No grande teatro reproduzido na telona, os atores comandam o dinamismo e o clima de tensão. Gustavo Machado assume o papel do protagonista e consegue passar todo o clima de suspense nas grandes reviravoltas em que seu estressado fotógrafo se mete. O ator oriundo da cena teatral, interpreta o segundo fotógrafo na sua carreira dentro do cinema, o primeiro foi no filme de Beto Brant Eu Receberia as piores Notícias dos seus Lindos Lábios.

É a volta do bom e velho cinema cabeça. É um filme que você precisa ficar atento e que lhe oferece elementos para atrair a atenção necessária. Uma das poucas vezes, no cinema nacional, em que o roteiro é o grande destaque do filme.

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...