sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Crítica do filme: 'Amour'


O diretor alemão Michael Haneke volta às telonas, após o sucesso de seu último trabalho A Fita Branca, para contar a história de uma relação que precisa superar certas dificuldades tendo apenas o amor como arma. Estamos falando do aclamado Amour. Esse não é um daqueles filmes clichês onde sabemos exatamente onde iremos pisar, Haneke é diferente, original, único, sua lente inteligente consegue captar até o último respingo de sentimento em cada cena. Um trabalho exemplar, acima da curva. Mas o longa que estreia nessa sexta-feira (18) é muito mais que uma excelente direção.

Na trama conhecemos um casal chamado Anne e Georges, professores de música aposentados que tem uma filha (também musicista) que mora no exterior com sua família. Certo dia, Anne tem um AVC e fica com grandes sequelas, assim, todo amor dessa relação é testado de maneira nua e crua pelas lentes do cineasta alemão que concorre ao Oscar desse ano.

A dupla de protagonista tem um entrosamento fora do comum. Dizem tanto com o olhar que chegam a emocionar em quase todas as sequências. É fabuloso o retrato montado dessa relação. Parece que não há câmeras, estúdio, ou qualquer encenação. A verdade é uma variável constante, certas vezes dói na alma. 
Quando Haneke consegue dominar a direção dessa forma, ficamos reféns de maravilhosos minutos dentro da sala de cinema. Jean-Louis Trintignant (A Fraternidade É Vermelha) é seguro e consegue mostrar a vulnerabilidade de seu personagem com grande maestria. Emmanuelle Riva (A Liberdade É Azul) contracena como as grandes damas do teatro europeu, lúcida e com uma transparência que impressiona.

A coprodução Áustria, França, e Alemanha teve sua estreia no Festival de Cannes do ano passado, onde conquistou a cobiçada Palma de Ouro e também foi selecionado como o representante austríaco para o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2013, além dessa categoria, concorre como Melhor filme, direção e Melhor atriz (Emmanuelle Riva).  Com todos esses prêmios e o sucesso que vem alcançando com o público Amour chega aos cinemas para conquistar você. Bravo!

4 comentários:

  1. Assisti e não gostei... Não achei tão original, além de ser muito sonolento, parado. Só gostei mesmo da atuação do casal.

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  2. Um filmaço! Uma metáfora sobre a fragilidade e finitude da vida. Esplêndido! Não vi o tempo passar!

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  3. Um assunto muito pertinente e raramente abordado de modo "realista" pelo cinema (exceto talvez em documentários?). estamos envelhecendo, os mais ricos ainda mais, e talvez não tenhamos recursos para lidar com isso. Por que não falar sobre?

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