quinta-feira, 7 de março de 2013

Crítica do filme: 'Amor é Tudo o Que Você Precisa'


Será que o destino é o fator que define uma história de amor? Escrito pelo competente Anders Thomas Jensen (Em um Mundo Melhor) a nova comédia dramática romântica Amor é Tudo o Que Você Precisa aborda a questão familiar de maneira inconsequentes, tendo como pano de fundo um casamento repleto de confusão. Vocês já viram algo parecido em outros filmes? Exatamente! Para ser diferente, e fugir dos clichês, a diretora ganhadora do Oscar Susanne Bier (Em um Mundo Melhor) peca por não conseguir encontrar o ritmo certo. A trilha de Johan Söderqvist é entusiasta se adequando as sequências, às vezes deixa o filme com ar de fábula o que pode ser uma coisa desinteressante para o público alvo que se propõe o longa.

Amor é Tudo o Que Você Precisa conta a história de dois personagens, um homem e uma mulher, que se encontram de maneira inusitada após uma batida automobilística. O primeiro é um  workaholic norte-americano (que ganha de presentes inusitados ao longo do filme, como um salto de paraquedas e um sapato de salto alto para dançar tango), Executivo do ramo alimentício, viúvo, que vive triste e solitário. A segunda é uma cabeleireira que perdeu os cabelos por conta do seu tratamento contra um câncer. Os dois vão se encontrar de maneira inusitada após um acidente de carro e vão juntos até o casamento de seus filhos.

A personagem Ida, de longe, é a que mais sofre com as inconsequências dos outros personagens. Uma mulher que está lutando contra um câncer e surpreendentemente flagra o marido com uma funcionária no sofá de couro de sua casa. Tem um filho que vai para a guerra e uma filha prestes a se casar. Raspar o cabelo, nadar como veio ao mundo e um enquadramento de nu frontal estão completamente dentro do contexto. Nada é gratuito. Uma doação tocante da atriz Trine Dyrholm (O Amante da Rainha).

Bom ver o ex-James Bond Pierce Brosnan (Não Sei Como Ela Consegue) depois de muito tempo se associando a filmes ruins, resolver dar uma guinada na carreira. Já é o terceiro filme de drama, sendo competente em seu papel, que lança em pouco tempo (os outros foram Lembranças e Em Busca de uma Chance). Os cinéfilos agradecem.

As situações dramáticas que cocorrem no casamento levam o público a tomar partido de alguns personagens. O roteiro gira em torno da personagem principal feminina. Exagerado nos dramas pessoais e abrindo brecha para que alguns sonhos virem realidade, o que acaba deixando o filme previsível, do começo ao fim. Não há um diferencial de Bier nesta direção. Seu olhar precisava das inusitadas situações que ocorriam em seus outros filmes, mas nesse caso, como no filme Coisas que Perdemos pelo Caminho (2007), não há muita química em cena, por mais que seus dois protagonistas tentam a todo tempo envolver a plateia exalando o carisma de seus personagens.

Dessa vez, Bier não acerta mas não deixa de ser um filme que pode emocionar alguns. Um clássico filme raso, estilo sessão da tarde.  

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