quinta-feira, 7 de março de 2013

Crítica do filme: 'A Busca'


Aflição à flor da pele de memórias que não voltam. Em seu primeiro longa metragem o cineasta Luciano Moura apostou em uma história diferente dentro de um gênero que não é a comédia batida que infelizmente estamos acostumados com as produções brasileiras. Estrelado pelo melhor ator brasileiro atualmente, Wagner Moura (O Homem do Futuro),  A Busca é uma trama corajosa, onde não há exageros. Consegue reunir elementos envolventes e um protagonista que passa verdade, pecando apenas pelo esquecimento dos personagens coadjuvantes.

Wagner Moura interpreta Théo um homem desesperado que encontra-se à beira do caos com sua família desestruturada.  Não se entende com sua mulher e filho, atitudes de amor e ódio circulam entre as cenas. Mariana Lima (Amor?) interpreta a doutora Branca, mulher de Théo que está em profunda tristeza com o declínio de seu casamento. O casal tem um filho chamado Pedro que certo dia resolve fugir de casa para uma aventura com um objetivo secreto que vai abalar para sempre os laços dessa família.

Seguindo em seu carro com a gasolina infinita (uma licença poética, quem sabe), atravessando dois estados, de casa em casa, totalmente sem destino, fazendo parto, roubando celular de um lugar que só tem um aparelho disponível, atravessando dois estados, Théo vai conhecendo pessoas, descobrindo histórias e conhecendo melhor a si mesmo. O sofrimento da família é despejado e retratado no personagem, o que deixa os coadjuvantes em completo segundo plano.

A busca tinha tudo haver com o personagem principal, muito mais do que ele pensava. Nessa hora o roteiro cresce tentando mostrar o caminho que leva o personagem ao autodescobrimento. Wagner Moura (O Homem do Futuro) transborda talento e emoção em cada cena. Intenso, profundo, emocionante. Um dos grandes atores do planeta cinema. Lima Duarte (Colegas) aparece poucos minutos em cena. É o que precisa para fazer o público se emocionar. Arrepiante atuação, complementa o personagem de Moura de maneira visceral.

Conflitos familiares de proporções extremas são vistos ao longo dos 99 minutos de projeção. A câmera do diretor apresenta os detalhes e expressões de cada um dos envolvidos nas sequências. É uma composição que ajuda a melhorar a percepção do espectador. O resgate da esperança é um complemento que é alcançado pelas lentes da direção principalmente a construção e a desconstrução emocional de cada um dos envolvidos na história.

Mesmo não sendo perfeito, a busca de um pai e o recomeço de um filho é uma ideia que contagiará o público a conferir o filme.  Que não haja dúvidas! A Busca é um bom filme nacional e enche os olhos cinéfilos com atuações que valem o ingresso. 

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