terça-feira, 12 de março de 2013

Crítica do filme: 'Pieta'


Até aonde a falta de amor materno é importante para a formação do caráter de um homem? O vencedor do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza 2012, Pieta é um filme bruto, nu, cu e nada delicado. Escrito e dirigido pelo cineasta sul-coreano Kim Ki-duk (Casa Vazia), o longa apresenta cenas muito fortes que deixarão alguns cinéfilos incomodados. É um filme difícil de digerir. Nessa complexa trama, os rostos dos personagens são expressivos. Uma agonia muito transparente fica estagnada em tela. A plateia sai do cinema raciocinando sobre todos os eventos que acompanhou durante os minutos, tensos, de projeção.

Na história, conhecemos Mi-Son um cobrador de dívidas que é conhecido como um decepador de membros dos que não cumprem seus acordos. Assim entramos pelas histórias desses trabalhadores coadjuvantes, sempre pelos olhos depressivos do protagonista, um homem frio, avesso à irresponsabilidade, insano, maldoso, cruel que adota muitas vezes humilhações (como, por exemplo, uma surra com um sutiã) como arma contra os devedores. O feitiço vira contra o feiticeiro quando uma misteriosa mulher chega em sua casa dizendo ser sua mãe que o abandonou a 30 anos. A partir desse fato, o inescrupuloso homem passa a ter medo de prováveis vinganças de todos aqueles que um dia foram atingidos, de alguma forma, por ele.

Nesse filme extremamente polêmico, o público se pergunta: Será que o personagem principal sofre de síndrome do abandono? Uma relação de mãe e filho, neste caso, que começa com ódio e vai se desenvolvendo, carregada de rancor e sofrimento pelo triste passado sozinho do protagonista. Uma dependência de ambas as partes é notoriamente observada, fato que leva os personagens a difíceis decisões já no desfecho da história. Há um carinho embutido em cada sequência, mesmo as mais fortes, que é fruto dessa relação de duas pessoas que não se conheciam.

Quando revelações bombásticas são feitas, durante o decorrer da história, muitos amantes do cinema lembrarão rapidamente de outro longa oriental, Oldboy. O vai e vem do roteiro deixa o clima de suspense no ar. Não sabemos ao certo para onde a história nos levará, então, se o espectador conseguir ser envolvido e passar confiante pelas cenas de mutilação, receberá um desfecho impactante de um filme que começa muito gelado e termina de maneira arrasadora.

Os gritos antes dos créditos finais aliviam aos que queriam que terminasse logo todo aquele sofrimento. Para outros pode fechar com chave de ouro o desfecho emblemático, cheio de simbolismo, clássico dos filmes orientais.  

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