Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'O Acordo'

Dirigido pelo cineasta californiano Ric Roman Waugh (do desconhecido filme Felon),  O Acordo tinha tudo para ser mais um filme limitado de ação a ser lançado em nossos cinemas. Para surpresa geral da nação de cinéfilos espalhados por todo o Brasil, o longa é muito mais que isso. O grande mérito do filme é composto pela boa direção, o excelente roteiro e a inesperada maneira como Dwayne Johnson (G.I Joe: Retaliação) domina seu personagem nos momentos dramáticos, reflexivos, convencendo o público.

Baseado em fatos reais, o intrigante longa conta a história de John Matthews um empresário do ramo automotivo que vive feliz com sua família em uma cidade americana. Certo dia, seu filho mais velho, fruto de seu primeiro casamento, é preso por posse de drogas. Para tentar reduzir a pena desse, Matthews faz um acordo perigoso com a divisão de narcóticos e uma procuradora do Estado. Assim, desafiando grandes nomes do tráfico local, o pai vai em busca da redenção de seu filho.

Mesmo durão, The Rock surpreende no papel do protagonista, passa verdade nos diálogos e executa muitos bem todas as passagens emocionais do personagem na trama. O melhor trabalho, sem dúvidas, do ex-lutador em um longa metragem. A dúvida de seu personagem em se arriscar ou não, é passado ao público de maneira nua e crua, deixando o espectador de olhos atentos aos próximos acontecimentos da história.

A busca dos pais para ajudar seu filho modifica a trama para um drama jurídico policial. Os fervorosos conflitos familiares são preenchidos de maneira inteligente pelo roteiro. A transparência dos diálogos, as fragilidades dos personagens e os conflitos que nascem pelas inconsequências de alguns desses compõe muito bem a história.

As tramas paralelas, dos coadjuvantes, ajudam a completar lacunas e a encorpar esse bom filme de ação. Susan Sarandon (A Viagem), na pele Joanne Keeghan só engrandece o filme. Jon Bernthal, ex- Walking Dead, a príncípio aparece pouco mas é ponto importante para o desfecho da trama. 

Os últimos minutos são emocionantes, o público não tira os olhos da telona, um leque de possibilidades se abre deixando todos atentos para saber como o filme vai terminar. Esqueça o preconceito, não deixe de ver esse bom trabalho de The Rock. Enfim um. Bem vindo ao mundo do cinema Sr. Johnson.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...