terça-feira, 23 de abril de 2013

Crítica do filme 'Reality - A Grande Ilusão'


Nunca desista dos seus sonhos. Aproveitando esse lema bastante comum nas pessoas sensíveis e sonhadoras, o diretor Matteo Garrone (Gomorra) apresenta uma história dramática, com um particular humor europeu como pano de fundo, que poderia ser muito melhor desenvolvida senão fosse a cansativa introdução. O assunto não é recente, uma espécie de crítica à sociedade alienada, pena que acaba sendo mais uma boa ideia perdida em um mar de desinformação.

Na trama, acompanhamos a trajetória de um simpático e querido administrador de uma peixaria chamado Luciano (Aniello Arena) que vive com a família no subúrbio de Nápoles, na Itália. O trabalhador busca a cada dia melhorar a situação de sua enorme família contrabandeando aparelhos eletrônicos. Certo dia, após um insistente pedido de seus filhos, Luciano participa de um processo seletivo para concorrer a uma vaga no programa Big Brother. A partir daí entra em um surto psicológico quando pensa que será um dos selecionados da próxima edição do reality show.

O público aguarda ansiosamente que o filme tenha algum sentido. O arco introdutório é muito longo, por isso cinéfilos, paciência, o filme ganha uma certa direção quando começa a ter um objetivo. Um dos fatores que atrapalham é em relação aos personagens coadjuvantes que são arremessados dentro da história sem qualquer razão, deixando o público precocemente confuso sobre o porquê da existência deles para contar essa história.

A produção ganha possibilidade de aceitação se o público conseguir fazer uma análise mais profunda sobre o comportamento fora dos padrões do protagonista. É uma fábula sobre a sociedade alienada moderna. O personagem, completamente descontrolado, começa a ter atitudes inconsequentes quando cria a ilusão de que ganhará fama e reconhecimento. Abandona sua rotina de trabalhador e começa a compor os elementos de seu cotidiano como forma de se sentir ainda com esperanças de realizar o seu sonho.

O longa tem a proposta de ser profundo mas acaba sendo raso. É arrastado, mais longo do que deveria ser. Acaba se tornando cansativo. Quando chegamos ao desfecho, a sensação que passa é de que faltou alguma coisa. É o simples caso de que nem toda boa ideia vira um bom roteiro. 

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