domingo, 12 de maio de 2013

Crítica do filme: 'O Sonho de Wadjda'


Ganhador de elogios ao redor do mundo, desembarcou no Brasil o drama O Sonho de Wadjda. Tendo influência do clássico da década de 40, O Ladrão de Bicicletas, de Vittorio De Sica (Desejos Proibidos), o longa fala sobre a destemida juventude que calça All Star e com uma mescla de inteligência e sabedoria consegue burlar qualquer símbolo de prepotência de uma sociedade machista no tempos atuais.

Passando pelos costumes distantes, culturalmente, religiosamente e socialmente aceitos pelos sauditas, descobrimos a história de uma corajosa menina chamada Wadjda que possui entre muitos sonhos, o desejo de ter uma bicicleta. Diante do complicado objetivo, a menina moradora do subúrbio de Riade precisará passar por cima, sempre com muito inteligência, de tradições e restrições que as mulheres sofrem em seu país.

A forma como a menina enfrenta o senso comum da cidade onde vive é a grande fonte de inspiração do filme escrito e dirigido pela cineasta Haifaa Al-Mansour. Valente e objetiva Wadjda é um exemplo de perseverança dentro de um regime tão autoritário e totalmente excludente quando pensamos nas mulheres. O grande barato do filme é a forma como a jovem se relaciona com a mãe e como as duas se parecem, como somos surpreendidos no desfecho da poderosa história.

A figura do pai também é muito bem analisada pela câmera detalhista da diretora. A garota nutre um amor pela figura materna que infelizmente está preocupada em conseguir um outro casamento e pouco faz por merecer pelo carinho de Wadjda. Toda a educação da criança é modelada e acompanhada pela brava mãe que brinda os cinéfilos com um gesto lindo no final da história.

É no mínimo um filme ousado, aguerrido e alentado. Talvez chocante para alguns. Pelos diálogos nos identificamos e torcemos para que mais Wadjda apareçam nesse mundo tão perto e conservador. Bravo!

3 Postagens cinéfilas:

Lilian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lilian disse...

Acabei de sair do filme. É lindo, super recomendo. Só mesmo uma diretora pra tratar a questão de gênero com tantos meandros, tão profunda e delicadamente. Aqui no Brasil nos pensamos tão livres mas lá estava eu chorando na platéia por me reconhecer em Wadjda.

Amilcar Castro disse...

belissimo filme. sonoro (as leituras do alcorão, alguns silêncios em meio a trilha sonora (lembrando o deserto próximo a Riad?), com personagens femininos ricos e o sonho de se andar de bicicleta (como um menino). há muita coisa nesta história que, por vezes, parece singela, uma quase fábula talvez...
mais Wadjda nesse mundo tão conservador? Uma bela esperança, por que não?

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