quarta-feira, 22 de maio de 2013

Crítica do filme: 'Walachai'


O tempo e seu ritmo lento. Para contar a história de uma população esquecida no ciclo temporal, a diretora brasileira Rejane Zilles volta ao seu passado resgatando as tradições e costumes de um lugar longínquo denominado Walachai. Afastado 100 quilômetros de Porto Alegre,  comunidade é basicamente um cantinho alemão no Brasil. Lá quase não existe telefone, sinos ditam o toque de recolher e trabalhar se consegue apenas de maneira natural, oriunda das plantações de verduras ou na única fábrica da cidade. Walachai é um retrato de uma memória que o tempo se esqueceu de contar.

Uma comunidade que não esquece suas origens e não conhece os impactos da globalização que enfrentamos diariamente nos grandes centros. A simplicidade adotada no cotidiano é de se admirar. Na questão da alfabetização das crianças, todos chegam ao colégio falando alemão transformando o português como uma língua de apoio, uma espécie de ‘step comunicativo’. São diversos elementos que são envoltos personagens reais que fazem parte do nosso país. Além de tudo, é um filme educativo, pronto para ser passado em qualquer instituição que preze o real sentido dos fundamentos da sociologia.

Percebemos um grande toque de afeto e carinho da diretora Rejane Zilles ao contar essa agradável história. É interessante a descoberta desse cantinho alemão no nosso país. Nos relatos dos moradores, conhecemos não só a história dessa comunidade, como também de momentos marcantes da trajetória brasileira ao longo do tempo. Diversas histórias sobre a segunda guerra e as dificuldades que os antigos moradores da região enfrentaram por serem descendentes de alemães são relatados através de situações vivadas pelos moradores.

O filme passa por partes sem objetivos, ou melhor dizendo, sem uma direção. Em certo momento, o roteiro se estabiliza na fala mansa dos carismáticos personagens reais esquecendo de acelerar na telona o seu contexto, a famosa comodidade de um certo vazio existencial. Mesmo apontando este detalhe, os sorridentes brasileiros alemães em conjunto com as belas imagens, conseguem segurar a atenção do espectador.

O longa deve agradar quem curte bons documentários que conseguem estabelecer paralelos entre as ações da globalização e a permanência de uma certa tradição.  

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