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Crítica do filme: 'As Delícias da Tarde'

Em seu primeiro longa-metragem, a ex-roteirista de seriados famosos, Jill Soloway resolve abordar os dramas familiares e as problemáticas diárias que o sexo pode provocar em alguns casais na dramédia As Delícias da Tarde. Contando com um elenco oriundo de diversas séries norte-americanas, a estreante procura dar liberdade na composição dos personagens causando alguns exageros mas no geral uma fórmula que dá muito certo em cena.

Em 95 minutos de longa, somos guiados para a vida de uma mulher de meia idade chamada Rachel (Kathryn Hahn), moradora de uma bairro tranquilo e de classe média alta em uma grande cidade dos Estados Unidos. Seu casamento com Jeff (Josh Radnor) está de mal a pior, muito por conta da falta de entrosamento no sexo entre os dois. Para tentar apimentar as coisas, certa tarde, vão até um clube de strip tease e lá conhecem McKenna (Juno Temple). Após esse encontro, Rachel se sente necessitada de ter a jovem stripper por perto, levando a moça para ser babá de seu filho, causando diversas confusões e surpresas para todos na história.

É possível falar sobre sexo no cinema sem ser piegas ou ofensivo. As Delícias da Tarde é um grande consultório onde todos nós somos convidados a participar dos debates que acontecem entre os carismáticos personagens. A relação da protagonista com todos os outros coadjuvantes são excelentes, comovem e ajudam a contar essa boa história. O destaque para essas tramas secundárias fica para a ótima participação de Jane Lynch (Glee) na pele da psicóloga totalmente maluca Lenore.

Jill Soloway ganhou o prêmio de Melhor Direção no prestigiado Festival de Sundance deste ano. Realmente a direção surpreende positivamente, conseguem transformar uma história complicada em um filme gostoso de assistir. A liberdade que o elenco teve para criar os personagens poderiam ser um problema por conta do formato que estão acostumados (seriados) mas o saldo final é muito positivo e os personagens se sustentam com louvor até o final da história.


O único pecado é que o filme não tem data definida para ser exibido no Brasil. Os sortudos que frequentaram o Festival do Rio deste ano – assim como quem vos escreve – são os únicos brindados com essa delícia, seja ela de manhã, de tarde ou de noite. Se pintar por aqui, não esqueçam, anotem na agenda e vão ao cinema, essa história vocês precisam conferir. 

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