terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Crítica do filme: 'All is Lost'

O que fazer quando tudo está perdido, exceto a alma e o corpo? Depois de dirigir o excelente Margin Call - O Dia Antes do Fim, o diretor norte americano J.C. Chandor chega aos cinemas com um drama que lembra muito outros filmes de sobrevivência mas com o pecado de não ter uma apresentação decente sobre a história de seu protagonista. All is Lost conta apenas com Robert Redford na frente das câmeras e isso infelizmente é muito pouco para agradar ao público.

Na trama, acompanhamos um experiente velejado que precisa enfrentar o maior desafio de sua vida quando, em alto mar e sozinho, em seu barco atingido por um container gigante e repleto de sapatos. Com sérias avarias em seu barco, precisa lutar dia e noite para sobreviver. Não sabemos a história do protagonista, nem ao menos seu nome. Isso atrapalha a interação com o público. Uma breve introdução ajudaria muito a criar laços de empatia, até mesmo para aumentar a torcida para um desfecho feliz e suporte para aguentar as maçantes cenas de aventura em alto mar.

O veleiro é moderno e conta com toda a tecnologia disponível nos dias de hoje. Mesmo assim, não é páreo para a força da natureza e aos acasos que o destino coloca em nossa frente. Por conta do acidente, se transforma em uma jangada pouco operante. Mesmo tendo completo domínio sobre a embarcação, o protagonista precisa tomar rápidas e difíceis decisões. O personagem demonstra uma frieza muito grande ao enfrentar esse contratempo. Parece que assim que ocorre a fatalidade, liga o seu botão da razão e esquece a emoção.


Respiração, transpiração e expressões de tensão são alguns dos poucos movimentos que percebemos do protagonista. Se Tom Hanks tinha o Wilson como companhia (no ótimo filme O Náufrago), o veterano Robert Redford tem apenas o esforço e talento de tentar passar toda a agonia e desespero de seu protagonista. Mesmo o filme tendo uma duração aceitável para trabalhos do gênero, falta muita coisa para agradar aos cinéfilos. 

3 comentários:

  1. Gostei do filme. E muito. Quem espera por um filme mais hollywoodiano como o náufrago de Tom Hanks, é melhor nem assistir. O filme é introspectivo o que significa que é para poucos.

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  2. Também gostei. É um filme que fala por metáforas, não se trata de uma linguagem linear para o público acostumado com cinema americano (leia-se hollywood).Por conta de ser uma metáfora se encaixa em dezenas de situações vividas por nós,simples mortais. A começar pela batalha diária de todos nós, muitos de nós náufragos, perdidos,esgotados,etc. O final me surpreendeu pela dúbia situação:física ou espiritual? Claro,não é filme para as massas.Prá isso tem as novelas globais. Fui.

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  3. Os pseudos comentários filosóficos sobre o filme são bobagens, o filme é simples, com boa narrativa cinematográfica, mas sem grandes aprofundamentos. Seria uma espécie de "O Encurralado" do Spielberg, sem a a figura do caminhoneiro assassino. Ao invés do caminhoneiro, são as dificuldades causadas pela natureza que torturam a vida do personagem que luta com criatividade e experiencia para sobreviver. As coisas vão piorando cada vez mais até chegar ao ponto de "o dá ou desce". O final é meio bobinho e já esperado, bem ao gosto hollywoodiano. Dá pra assistir na sessão pipoca sem traumas. Se não fosse a presença de Robert Redford, talvez os comentários fossem menos pseudo analíticos tão a gosto de alguns.

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