domingo, 19 de janeiro de 2014

Crítica do filme: 'Ela'



Se apaixonar é uma forma socialmente existencial de insanidade? Depois de apresentar ao mundo uma versão peculiar da tristeza por meio de metáforas e universos inimagináveis, no longa-metragem Onde Vivem os Monstros, o diretor norte-americano Spike Jonze volta aos cinemas, quatro anos depois, com um projeto audacioso que fala sobre o diferente relacionamento no futuro entre um homem e uma máquina, Ela. Com muita suscetibilidade aplicada nas ações dos personagens, o famoso diretor precisava de um ator completo para executar o complexo protagonista. E acreditem, não havia escolha melhor do que Joaquin Phoenix. O porto-riquenho de 39 anos conquista o público, já nos primeiros segundos, com um maravilhoso monólogo.

Na trama, conhecemos Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas melancólico sem muitos amigos e que vive pacatamente sua rotina de trabalho. Sua restrição social é provocada pelo rompimento com sua ex-mulher Catherine (Rooney Mara), de quem não consegue se libertar. Certo dia, caminhando pelas ruas vê o anúncio do primeiro sistema operacional com inteligência artificial e resolve levar para casa. Para sua surpresa, esse sistema é uma entidade intuitiva que entende Theodore por completo. Em uma rápida busca, um nome entre 180 mil encontrados foi o escolhido, e a dona desse nome vai mudar sua visão do mundo para sempre, e a dos cinéfilos também já que quem faz a voz do tal sistema operacional é a musa Scarlett Johansson.

É muito difícil perder alguém que a gente gosta. Aos poucos Theodore começa a entender que amar também é deixar ir embora. A melancolia do personagem é maravilhosamente bem interpretada pelo ótimo ator Joaquin Phoenix. Conseguimos sentir toda a tristeza, sentimentos e em certos pontos nos identificamos com Theodore. Muitas vezes com sua emblemática camisa de cor salmão, o inteligente personagem, escrito por Jonze, tem um pensamento triste e constante de que já sentiu tudo que deveria sentir na vida e não sentirá nada de novo, só versões menores do que um dia já viveu. Sair dessa melancolia, sem a ajuda do Lars Von Trier, é uma caminhada muito bonita que acompanhamos atentos em cada detalhe, cada atitude do personagem.

A esquisita relação de amor entre um homem e uma máquina é brilhantemente bem explorada ao longo de todo o filme. Uma coisa nunca antes imaginada, se torna para Theodore uma experiência grandiosa de auto descoberta, renovação de seus sentimentos e da sua vida. A visão que todos os outros ao seu redor possuem sobre essa relação também é um ponto interessante, existem muitos apoios para que ele continue, principalmente por conta das mudanças positivas que o personagem passa ao longo desse relacionamento.

Ela é um filme sobre momentos, experiências, atitudes, formas de viver. Um projeto diferente, inovador e deveras inteligente. Esse é um daqueles filmes que pode fazer você realmente mudar sua visão sobre o mundo em que vive. Abra seu coração. Você, ela e todo mundo precisam conferir essa fita e deixar de vez viva uma das premissas mais verdadeira que existem, a de que o passado é só uma história que nós contamos. Bravo!

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