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Crítica do filme: 'Anna'



E se você pudesse entrar nas memórias de outra pessoa? Dirigido pelo espanhol Jorge Dorado – um grande participante de produção dos filmes de Almodóvar – Anna é um daqueles filmes de suspense que tenta fazer o público passar todo o tempo tentando decifrar seus esquisitos mistérios. A fórmula dá certa no arco inicial apenas. Uma pena que o longa-metragem encarna o espírito “Lost” e seu desfecho é apenas trivial demais sem responder a todas as respostas que queremos. Se Nolan visse esse filme, se identificaria em partes – levando em conta suas devidas proporções – com sua obra-prima, A Origem.

Na trama, que não é no futuro, acompanhamos o detetive de memórias John (Mark Strong). Após sofrer um trauma terrível mal explicado, começa a se desestruturar emocionalmente, perdendo seu emprego e sua família. Certo dia, consegue a chance de um recomeço aceitando o caso da misteriosa Anna, uma jovem que vive trancada dentro de casa pelos pais. Conforme o tempo passa, o detetive começa a buscar explicações para situações assustadoras no passado da menina.

O protagonista é muito bem interpretado pelo bom ator Mark Strong. Às vezes parece que o filme se resume a isso. O roteiro tenta ser brilhante mas apresenta falhas a todo instante (que ficam mais evidente ao término do longa). A direção, responsável por tentar criar sequências de tensão, opta por sustos imbecis camuflados de estruturas fantasmagóricas. A famosa premissa de pensar certo e executar totalmente errado.

O público não sente medo, não chora, não ri. Se sente como uma árvore. Torce para terminar as sucessões de clichês de outros filmes do gênero. Um filme de suspense precisa te surpreender de uma maneira tão marcante que te deixar louco para conferir a próxima sequência, isso acontece apenas no início do filme. Somos reféns de uma boa interpretação que infelizmente não consegue segurar o filme como um todo. Dos mesmos produtores do ótimo “A Orfã”, “Anna” deverá seguir o caminho triste para produções que não agradam nem as distribuidoras, a prateleira empoeirada das locadoras que ainda existem.

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