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Crítica do filme 'Respire (Respira)'

A paixão é um caminho ou um obstáculo à liberdade? Depois de adentrar Hollywood sendo musa do grande filme de Tarantino, Bastardos Inglórios, Mélanie Laurent se joga de vez no mundo da direção cinematográfica e continua mostrando seu talento, dessa vez, atrás das câmeras. Respire (Respira), baseado no romance da autora francesa Anne-Sophie Brasme, é um soco no estômago para quem ainda acha que a adolescência é uma fase qualquer de nossas vidas. Percorrendo Nietzsche e as razões do excesso, esse longa-metragem francês possui um clima tenso desde o primeiro minuto e um arrebatador desfecho.

Na trama, somos rapidamente apresentados a inteligente Charlie (Joséphine Japy), uma jovem de 17 anos que possui uma vida tranquila na escola ao lado dos amigos mas vive atormentada pela relação de amor e ódio entre seus pais. Certo dia, uma jovem chamada Sarah (Lou de Laâge) chega a escola de Charlie e logo as duas viram amigas.  Sarah é animada, cheia de histórias pra contar, sua vida parece um filme da qual é a única roteirista e sabedora de todos os mistérios e mentiras que a cercam. É uma personagem intrigante, iluminada a todo instante pela lente inteligente e sensibilidade de Laurent. Só que essa chegada de Sarah, mexe muito com Charlie, principalmente quando a protagonista começa a descobrir alguns segredos impactantes da vida dela.

O filme foca para seus ‘clímaxs’ na amizade que é formada. Charlie e Sarah viram super amigas em pouco tempo, vão adentrando perigosamente em uma relação íntima de amizade e dependência. Sarah é provocante, induz a pensamentos dúbios na delicada Charlie. Incrível como a diretora Melanie Laurent consegue captar tamanha profundidade em modestos 90 minutos de projeção. Conseguimos entender melhor as personagens a cada nova sequência angustiante que nos espera.

A transformação da protagonista Charlie ao longo do filme é arrepiante. Suas atitudes inconsequentes vistas já no desfecho da história, mostram que no fundo ela reprime seus pensamentos mais sombrios e isso gera uma catástrofe sem fim dentro de sua vida. Perde amigos, suas notas caem vergonhosamente. Seus pais, em uma eterna zona de conflito, nada fazem para tentar dar uma certa luz ao caminho de sua aterrorizada filha. Somos testemunhas de um caminho nebuloso eminente para a protagonista.


Respire (Respira) ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Talvez nunca chegue, infelizmente. Com atuações impactantes, uma direção maravilhosa e uma história muito envolvente, esse filme é um dos grandes filmes de drama do cinema francês nos últimos anos. Se tiver a oportunidade, não deixe de conferir. Filmaço.

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