Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Sniper Americano'

O patriotismo parte diante da ignorância da maioria. O bom e velho Clint Eastwood, que já passou dos 80, volta às telonas do mundo, dessa vez para conduzir um filme de ação baseado numa história real de um ex-soldado norte-americano. Protagonizado e produzido por Bradley Cooper e recentemente indicado a 5 Oscar, o longa-metragem Sniper Americano é o tipo de filme que os americanos adoram, que a academia que vota na seleção do Oscar adora mas que sempre deixa a desejar aos olhos atentos de muitos cinéfilos. Cooper não faz o suficiente para merecer sua indicação na categoria Melhor Ator em um filme que é igual a muitos com o mesmo tema.

Na trama, conhecemos o atirador de elite do exército norte-americano Chris Kyle (Bradley Cooper), um texano de origem humilde que por volta dos 30 anos resolve abandonar a vida de cowboy e ingressar nas forças armadas norte-americanas. Enviado para uma das maiores zonas de conflitos que o mundo já viu nesse e no último século, Kyle conseguiu virar uma lenda, assassinando mais de 100 pessoas nos combates em que marcou presença. Obviamente, sua vida familiar sofre um grande tormento cada uma das quatro vezes que vai e volta da guerra.

O roteiro, escrito por Jason Hall, baseado em um livro que conta detalhadamente as situações vividas por Chris Kyle na zona de conflito, possui diversos arcos: situações extremas nas batalhas travadas por Kyle, as consequências psicológicas que atingem o protagonista após ver tanta tragédia mas definitivamente a sua relação familiar é a parte mais interessante e onde todos em cena conseguem elevar seus personagens. Sienna Miller, dessa vez morena, é o grande destaque. Sua personagem Taya, mulher de Kyle, é um termômetro importante para o espectador, suas cenas de desespero em querer que o marido largue o exército e volte a ser um pai presente emocionam profundamente. É difícil entender porque todos os holofotes das premiações se voltaram para Bradley Cooper e não para Sienna Miller, o primeiro tem um bom desempenho, apenas, nada demais, muitos outros atores poderiam ter feito igual ou melhor que Cooper.


De qualquer maneira, um fato que devemos louvar é o desejo e empenho de Clint de ainda querer trabalhar com cinema. A cena da tempestade de areia é brilhantemente bem conduzida, impressiona, você não consegue tirar os olhos da telona. Com altos e baixos, Sniper Americano estreia no Brasil muito em breve e você terá a chance de tirar suas próprias conclusões sobre esse trabalho apenas mediano.  

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...