Crítica do filme: 'Laggies'

  • fevereiro 10, 2015
  • By Raphael Camacho
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Até na pessoa mais confusa emocionalmente, o amor é um despertar. Para falar sobre a crise de imaturidade de uma mulher na casa dos 30 anos, a cineasta Lynn Shelton volta as telonas com seu novo trabalho Laggies. Com um roteiro assinado pela estreante Andrea Seigel, o filme, bem água com açúcar por sinal, navega entre diálogos inteligentes e bobíssimos clichês que às vezes nem mesmo o carisma que exalam alguns personagens conseguem superar. A protagonista Keira Knightley faz de tudo para criar uma identidade de sua personagem mas acaba naufragando nessa tentativa, a boa atuação mesmo vem do craque Sam Rockwell que faz o filme despertar quando aparece na trama.

Na história, conhecemos Megan (Keira Knightley), uma mulher de meia idade que parece não ter conseguido se estabelecer profissionalmente e vive uma rotina tediosa ao lado do noivo, que conhecera ainda no colégio. Quando alguns estopins, como a traição do pai, despertam Megan para vida, ela resolve passar uma semana longe de casa e assim acaba conhecendo a jovem Annika (Chloë Grace Moretz), uma menina que lembra muito como ela era na fase adolescente. Ambas irão percorrer uma jornada de amizade em busca da felicidade.

Podendo ser o mundo de alguém, a protagonista se afoga em conflitos e vira apenas um alguém no mundo. Essa crise de meia idade pela qual percorre, ao longo dos 99 minutos de fita, tem momentos que despertam o interesse do público mas na maioria das sequências a personagem não é convincente. Não adianta um sotaque britânico camuflado de inglês americano fluente, falta um pouco de carisma a Keira Knightley. Os diálogos com a personagem de Chloë Grace Moretz deveriam ser o grande clímax da história mas isso não acontece. Nos divertimos e interagimos bem mais com a trama quando o pai de Annika, interpretado pelo ótimo Sam Rockwell aparece na história.


Laggies, ainda sem tradução para o português, tinha tudo para ser mais profundo (por mais que seja uma história nada diferente de outras vistas por aí) mas acaba sendo superficial. É o tipo de filme que você logo esquece, não cria identidade com o público. Falta carisma, é como se o filme não tivesse força suficiente para conquistar nossa atenção.  

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3 comentários

  1. Vi o filme esta semana, e confesso que gostei bastante, tem uma essência na estória, que me faz pensar em nossas escolhas e decisões.
    Concordo em discordar de você.

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  2. Vi o filme esta semana, e confesso que gostei bastante, tem uma essência na estória, que me faz pensar em nossas escolhas e decisões.
    Concordo em discordar de você.

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  3. Discordo totalmente de você. A história do filme tem toda uma essência. A Meg se deixou viver de forma que a maioria das pessoas fazem, deixam que as coisas tomem seu rumo sozinho. Quando, tarde, ela descobriu que precisa de mover, falar e tomar iniciativa para que as coisas aconteçam.
    Quando ela se encontra com as amigas dela de tantos anos, ela não se sente a vontade mais, elas não têm as mesmas piadas nem o mesmo senso de humor. Isso porque o ser humano cresce e se deixa tomar conta da seriedade.
    Daí surgiu a necessidade dela de sair de tudo aquilo, porque a crise que ela passava não é porque ela era infantil, mas sim porque ela é de um jeito que as pessoas que viveram a vida toda ao dela não compreendem, simplesmente por serem diferentes.
    Quando ela conheceu a Anika e seu circulo, ela viu que todo o impasse que vivia com o marido e seus amigos era porque ela era passiva, porque antes, ela acreditava que ela era errada e infantil. E finalmente ao perceber que ela precisava se encontrar, não teve erro, viu que os amigos que tanto tempo não eram mais amigos e decidiu terminar o relacionamento com todos eles.
    Isso não precisava ter acontecido com ela se ela tivesse conhecimento de si mesma tempos antes, mas algumas pessoas só percebem tarde demais.
    Ninguém precisa se esforçar pra dar certo com alguém, é só procurar aquilo que te faz bem e te faz querer crescer.

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