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Crítica do filme: 'Caminho de Volta'

Após o ótimo Olhos Azuis, que possui em tema bastante parecido com esse novo trabalho, o cineasta paraibano José Joffily volta para atrás das câmeras em um projeto delicado que mostra um rápido cotidiano de brasileiros distante há tempos do Brasil. O documentário, Caminho de Volta, de maneira muito inteligente, aborda histórias interessantes de brasileiros que moram no exterior e de alguma forma nutrem um desejo de algum dia voltar a sua pátria mãe. 

Estados Unidos, Inglaterra, Brasil. Essas três conexões são o pano de fundo deste ótimo trabalho que não deixa de bater firme na tecla da burocracia vital na hora do pensamento em voltar para casa. Assim acompanhamos uma mãe com quase 90 anos que mora há 24 anos com seu filho em Nova Iorque e resolve voltar ao brasil para ficar mais perto do resto de sua família. Também acompanhamos a história de um fotógrafo que vive em Londres e está em um desenrolar financeiro no antigo casamento mas pretende voltar a morar no Brasil com a nova esposa.

Umas dos inúmeras pontos altos do longa-metragem é mostrar um certo paralelismo da vida fora do Brasil com a vivência e as dificuldades que temos por aqui. Por meio de conversas, vídeos pessoais, vamos conhecendo as histórias dos protagonistas. Em um dos relatos mais fortes da trama, a esposa do fotógrafo expõe sua relação, e o fato financeiro vigente nas contas da casa que ela absorve, na frente das câmeras sem nenhum tipo de cerimônia. Ao longo dos pouco menos de 90 minutos de projeção vamos caminhando em um mar de curiosidade por dentro das histórias.


Já no arco final, o desejo, os planos e as expectativas de voltarem para casa ganham sinais de ansiedade e em muitos momentos, os personagens parecem esquecer que as câmeras estão ligadas. Caminho de Volta é um projeto que muitos espectadores vão se identificar, seja por parentes que estão longe, ou seja por experiências próprias. Afinal, uma das palavras que só existe no português, saudade, não pode ser um eterno filme em cartaz. 

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