Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Descompensada (Trainwreck)'

Seja como for o que penses, creio que é melhor dizê-lo com boas palavras. Indicado a duas categorias no Globo de Ouro do ano que vem, a comédia norte-americana Descompensada (Trainwreck) é um show de besteirol que tenta imprimir um ritmo maduro para poucos diálogos intriguistas, uma fórmula bisonha que obviamente não dá certo. Dirigido pelo cineasta nova-iorquino Judd Apatow (O Virgem de 40 Anos) e com uma atuação bem fraca da humorista Amy Schumer a melhor piada que funciona pro filme é ele ter sido indicado ao Globo de Ouro.

Na trama, conhecemos a descontrolada, mal educada, chata e alcoólatra Amy (Amy Schumer), uma loirinha que trabalha em uma revista polêmica e que vive a vida de maneira inconseqüente, dormindo com várias pessoas ao longo do mês e com um relacionamento bem esquisito com seu namorado Steven (John Cena). Em relação a sua família, mantém uma certa proximidade com sua irmã Kim (Brie Larson) e sempre visita seu pai em um asilo. Tudo muda na conturbada vida de Amy quando ela conhece o médico Aaron (Bill Hader) por quem se apaixona loucamente. Assim, vamos acompanhando as surpresas que a história tenta apresentar ao longo de cansativos 125 minutos.

É complicado dizer o que incomoda mais: as tentativas de piadas sem graça de Amy Schumer ou um roteiro (assinado pela mesma) que dá várias voltas e não chega a lugar nenhum. Falta ritmo no filme, acredito que até que é viciado em comédias norte-americanas vai sentir isso, em um dos arcos, por exemplo, inventam uma linha emocional para ser explorada pela protagonista mas as sequências se tornam insignificantes. Existem também personagens coadjuvantes mal aproveitados, como a irmã de Amy, interpretada pela ótima atriz Brie Larson, praticamente sumida dentro do fraco roteiro. Nem as participações especiais de Tilda Swinton (mais uma vez irreconhecível) e Ezra Miller ajudam a melhorar o filme.


 Descompensada (Trainwreck) ainda não tem data de estreia no Brasil. Se chegar a entrar em circuito não deve agradar muito o público. História sem graça, longa, com algumas terríveis atuações. É uma comédia bem abaixo de uma boa comédia. 

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...