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Crítica do filme: 'Mistress America'

O cineasta nova-iorquino Noah Baumbach (A Lula e a Baleia, entre outros grandes filmes) não cansa de alegrar os corações cinéfilos. Seu novo trabalho, lançado há duas semanas no circuito brasileiro, Mistress America é um retrato do desenrolar da juventude do ponto de vista dos abalos que a vida pode provocar quando temos 20 e poucos anos. A personagem principal é uma jovem, cheia de energia, em busca do desapego da solidão. Mesmo o roteiro (escrito pela dupla Noah Baumbach e Greta Gerwig) sendo bastante objetivo, é impactante, e ao mesmo tempo profundo, para explorar a estrutura emocional de sua protagonista.

Na trama, conhecemos Tracy (Lola Kirke), um jovem estudante que tende à solidão por não conseguir se socializar com os jovens ao seu redor. Certo dia, é orientada por sua mãe a conhecer sua mais nova meia-irmã que está morando na mesma cidade que ela. Assim, ela conhece Brooke (Greta Gerwig) e sua vida começar a ter algum sentido, guiada pelas ações e pelo modo de viver a vida da meia irmã, que possui um positivismo do sonhar, típico de toda uma geração.

A relação das irmãs é uma das forças do filme, é algo como mestre e discípulo. Há uma admiração escancarada e até certo ponto meio que obsessiva, em alguns momentos mútua. Há de interseção um intenso desejo em ser livre e fazendo o que se ama no lado profissional, meio que seguindo a regra do custe o que custar. Brooke é tudo que Tracy (Lola Kirke) queria ser, mesmo que talvez de outra forma, outra maneira.


O impacto da chegada da ex-Frances Ha e sua deliciosa personagem Brooke é marcante. A partir daí os olhos estão voltados a mais esse excêntrico e delirante personagem dessa ótima atriz. Reza a lenda que um filme bom tem que chamar sua atenção em até 15 minutos iniciais. Em Mistress America, cerca de 12 minutos bastam para você já estar fisgado pela história. Não deixem de conferir mais esse belo trabalho de Baumbach.

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