Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Pawn Sacrifice'

Nós nos transformamos naquilo que praticamos com freqüência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado, é um hábito. Lançado nos Estados Unidos no final do mês de setembro do ano passado e sem nenhuma previsão de estreia em nosso circuito, Pawn Sacrifice conta a história de uma lenda do Xadrez que esteve metido em ‘jogos políticos’ durante a famosa guerra fria. No papel principal, o eterno homem-aranha Tobey Maguire (que também produziu o filme) que às vezes meio exagerado, e sem tornar o protagonista uma figura com grande carisma, deixa o filme muitas vezes sonolento, já que é o grande pilar da trama. Nem a competente direção do craque Edward Zwick consegue deixar o filme atraente aos olhos cinéfilos.

Na trama, que não deixa de ser uma cinebiografia, conhecemos com mais detalhes a vida de Robert James Fischer, o Bobby Fischer (Tobey Maguire), uma lenda do xadrez mundial que nasceu em Chicago mas logo se mudou para Nova Iorque onde passou a freqüentar vários clubes de xadrez. Desde a adolescência sendo tratado como um grande gênio do tabuleiro, durante a Guerra fria, mais precisamente em 1972, resolveu lutar pelo título mundial e em uma épica batalha, venceu o campeão russo Boris Spassky (Liev Schreiber). O filme mostra parte do caminho de Fischer até essa batalha, com seus problemas sociais e suas paranóias constantes.

Não é que o filme seja ruim, longe disso. Mas ele não consegue prender a atenção nos seus momentos importantes. Talvez falte uma sagacidade ao roteiro e atuações um pouco mais inspiradas de Tobey Maguire e Liev Schreiber. O primeiro ato do filme é bastante corrido, a relação com sua mãe não é muito bem explorada, são deixadas lacunas que não são respondidas e que ajudariam a compreender melhor as ações do protagonista. A relação da irmã de Fischer com o enxadrista também é mal encaixada na trama, servindo apenas como enfeite de clichê já no ato final da história. Essa aceleração das relações familiares do ex=campeão mundial de xadrez, para se chegar logo na luta de tabuleiro com Spassky, é bastante atrapalhada, acabam ficando peças pelo caminho.


Pawn Sacrifice, conforme mencionado na introdução, ainda não tem nenhuma data de estreia aqui no Brasil. Não sei se é um filme que poderia dar certo, poderia ter sido melhor explorado no foco entre as grandes duas potências da época em que é ambientado. Parece que um abre alas foi feito para que a atuação do protagonista brilhe mas essa luz não acende em nenhum momento, acaba levando um xeque-mate. 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...