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Crítica do filme: 'High-Rise'



As mais loucas distopias futurísticas podem estar mais perto do que pensamos. Baseado no livro homônimo, publicado na década de 70 pelo escritor J.G. Ballard, High-Rise é quase um sci-fi social que se baseia única e exclusivamente em como um desproporcional crescimento tecnológico da classe mais rica pode ser um caos no convívio e no relacionamento de toda um planeta que praticamente é banido de não ter o que uma minoria tem. Com locações quase que totais na Irlanda, o filme possui uma pegada bem forte (com cenas bem impactantes) e consegue ao longo dos seus intensos 120 minutos passar toda uma ideia que muito se parece, se traçarmos um paralelo, com várias etapas de ascensão e declínio de classes sociais que o mundo já passou.

Na trama, acompanhamos a chegada de Laing (Tom Hiddleston), um homem solitário, de classe média, que se muda para um novo arranha céu que possui muitas peculiaridades. Aos poucos vamos percebendo, junto ao personagem principal, que os andares são divididos em classes sociais, além do edifício ter uma ‘vida própria’, lá funcionam uma espécie de shopping, tem escola, supermercado, o que faz com que seus moradores percam quase que por total a noção do mundo fora dali. Aos poucos, como a maioria das revoluções que o mundo já viu em sua história, em High Rise acontece uma rebelião dos moradores dos andares de baixo com os que moram e ostentam em suas coberturas. 

Se isso fosse um jogo de RPG, Laing é o nosso personagem. As surpresas que chegam para ele, impactam demais nossos raciocínios mais distantes buscando sempre um paralelo com alguma coisa do mundo real. A história, muito bem destrinchada e com alta margem para debates, é ‘delicadamente’ dirigida e com muita eficiência pelo cineasta Ben Wheatley. A luta, muitas vezes com agressões físicas, provocadas por ideias conflitantes em relação aquele mundo instaurado, é movido à sangue e tinta. A loucura também faz parte da história, principalmente no segundo ato em diante. A falta de noção da realidade fora do edifício, coloca em cheque qualquer tipo raciocínio trivial sobre como viver em sociedade.

Quase como a cereja do bolo, a entrada de Jeremy Irons e seu impactante personagem, Royal, transforma tudo aquilo que alguns personagens achavam em forma de teoria em uma realidade angustiante que envolve ganância, egoísmo e traições. Como muitos personagens ganham força ao longo da projeção, o personagem principal vai ficando quase que em segundo plano chegando ao ponto de ser apenas nossos olhos dentro da história. High-Rise, absurdamente sem previsão para estrear nos cinemas brasileiros, muito se parece com outro belo filme, O Expresso do Amanhã. Uma das poucas diferenças entre os dois é que um você vai pra frente e o outro você vai subindo de elevador. 

Se você gosta de pensar um pouco sobre como o mundo está em constante rotação de ideias, fruto por demais de uma tecnologia que não chega para todos, esse é um filme que você precisa ver. Em seu ato final, completamente emblemático, percebemos que existe um dia outros High Rise possam ganhar vida em nossa realidade, ou, como muitos vão pensar, eles já existem.

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