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Mostrando postagens de julho, 2016

Crítica do filme: 'Jogo do Dinheiro'

O cofre do banco contém apenas dinheiro; frusta-se quem pensar que lá encontrará riqueza. Passando quase desapercebido em meio aos inúmeros lançamentos semanais no circuito brasileiro, Jogo do Dinheiro é um projeto simples que busca trazer uma certa luz, em forma de crítica (ou sátira como preferirem), ao universo do dinheiro que possui seu clímax diário na tão falada Wall Street. Dirigido pela atriz e também diretora Jodie Foster, o longa metragem dá belos pitacos no papel preponderante da mídia e como esse quarto poder pode e interfere na rotina da sociedade. Na trama, conhecemos rapidamente o apresentador de um programa de televisão de boa audiência especializado em análise do mercado financeiro, Lee Gates (George Clooney). Durante um dos programas desse show, que acontece ao vivo, um homem alterado chamado Kyle (Jack O'Connell – do ótimo 71: Esquecido em Belfast ) entra com uma arma na mão e faz Gates de refém. Ao longo das horas seguintes, o sequestrador vai exigir...

Crítica do filme: 'A Intrometida'

A felicidade é uma estação intermédia entre a carência e o excesso. Escrito e dirigido pela diretora e roteirista Lorene Scafaria, que entre outros trabalhos foi roteirista do ótimo Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música e dirigiu o peculiar Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo , A Intrometida é um drama disfarçado de comédia com um tom melancólico muito profundo que é atenuado pela atuação carismática da veterana Susan Sarandon. Falando com propriedade de assuntos que vão da dor da perda à vontade de se reencontrar, aos poucos, o filme se torna uma grata surpresa que vai deixar muito cinéfilo com sorrisão aberto.  Na trama, conhecemos a carinhosa Marnie Minervini (Susan Sarandon), uma mulher já na metade final de sua vida que recentemente perdeu seu companheiro de toda uma vida. Completamente sem rumo, resolve se mudar para mais próximo de sua filha Lori (Rose Byrne), em Los Angeles, na Califórnia. Expondo sua solidão de diversas e muitas vezes engraçadas mane...

Crítica do filme: 'Mãe Só Há Uma'

Amor de mãe é único e verdadeiro. É para uma vida inteira, e jamais é passageiro. Escrito e dirigido pela excelente cineasta Anna Muylaert ( Que Horas Ela Volta? ) Mãe Só Há Uma , o longa metragem, com estreia marcada para o próximo dia 21 de julho nos cinemas brasileiros, é uma viagem ao universo adolescente paralelo a um trauma que muda completamente a vida de muitas pessoas ao mesmo tempo. Com grande atuação do protagonista Naomi Nero e da excelente atriz Daniela Nefussi, o filme avança no universo das escolhas e nos caminhos da aceitação, do amar como a gente é. Na trama, acompanhamos a trajetória de Pierre (Naomi Nero), um jovem de 17 anos que adora pintar as unhas, tocar música com os amigos e vive uma vida simples ao lado da mãe e da irmã. Toda sua rotina muda quando um inspetor da polícia bate em sua porta com a notícia de que ele foi roubado na maternidade e que a pessoa que reconhece como sua mãe na verdade não é. Andando com sua Bike de um lado para o outro, Pierre en...

Crítica do filme: 'Hello, My Name Is Doris'

Até na pessoa mais cansada o amor é como um despertar. Dirigido por Michael Showalter Hello, My Name Is Doris , ainda sem previsão de estreia no circuito brasileiro, é uma história bem comovente mas narrada de maneira charmosa que conta com uma bela atuação da veterana Sally Field. Falar sobre o amor na terceira idade é a mesma coisa que falarmos sobre o despertar para a vida e assim, ao longo dos curtos 95 minutos, entre diversas situações diferentes (aos olhos da protagonista), vamos conhecendo melhor a incompreendida e adorável Doris. Na trama, conhecemos a contadora Doris (Sally Field), uma mulher para lá de 60 anos que vive solitária em seu mundinho que gira em torno de um trabalho entediante em uma promissora agencia de publicidade e sua casa que mais parece um brechó de tanta coisa em pouco lugar. Sua pacata rotina muda quando conhece o novo diretor de arte da empresa que trabalha, John (Max Greenfield), por quem logo nutre uma paixão daquelas de adolescente. Assim, explo...

Crítica do filme: 'A Odisseia de Alice'

Acreditar em si mesmo leva a um destino infinito. Acreditar que falhou pode ser o fim da sua jornada. Assim, é preciso recomeçar. Escrito e dirigido pela atriz e diretora francesa Lucie Borleteau, A Odisseia de Alice é uma jornada em busca do saber amar, do conquistar ser reconhecida em sua profissão e também do saber esquecer e seguir em frente. A poderosa protagonista, interpretada pela excelente e bela atriz grega Ariane Labed (vencedora do último prêmio de melhor atriz no Festival de Locarno), é o centro de todos esses conflitos e emoções que vão ganhando um certo charme libertário, com uma pegada feminista, ao longo dos intensos 97 minutos de projeção. Na trama, conhecemos a jovem engenheira Alice (Ariane Labed), uma mulher de menos de 30 anos que trabalha na marinha mercantil. Entre uma viagem e outra, algumas que duram meses em alto mar, ela acaba reencontrando um dos grandes amores de sua vida, o capitão Gael (Melvil Poupaud). O problema é que Alice deixou em terra seu ...

Crítica do filme: 'Green Room'

A tensão é um mecanismo de defesa para as possibilidades do que achamos ser inevitável. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2015, o excelente filme Green Room é o que chamamos de pérola em meio a inúmeros blockbusters que circulam anualmente nos circuitos de cinema pelo mundo. Sem nenhuma pretensão de ser um filme politicamente correto, o projeto é uma aula de roteiro, explora o universo da tensão de maneira original, simples e com objetividade. As cenas são bem complexas, fica nítida a dedicação estafante de todo o elenco. Méritos do desconhecido Jeremy Saulnier que escreveu e dirigiu esse impactante filme. De triste para o universo cinéfilo mesmo é que projeto marca um dos últimos filmes do jovem ator russo Anton Yelchin que faleceu poucas semanas atrás. Na trama, conhecemos uma banda de punk rock formada por jovens liderados por Pat (Anton Yelchin) que entre um show e outro acabam parando em um bar barra pesada neonazista. Após o show, quas...

Crítica do filme: 'A Chefa'

Às vezes a gente pensa que está fazendo comédia mas na verdade está fazendo bobagens sem tamanho. O novo projeto da atriz e comediante Melissa McCarthy, A Chefa , é um longa metragem, de inacabáveis 100 minutos, que tenta ser comédia e fracassa, tenta ter momentos de ação e fracassa. Reunindo o número recorde de cenas sem noção do ano (até aqui, nunca sabemos o que acontecerá no próximo filme do Nicolas Cage), o filme, que estreia em agosto no circuito brasileiro, é um show de palhaçadas onde esquecem da trama a todo instante. Um dos filmes mais ridículos do ano, sem dúvidas. Na trama, conhecemos a empresária de sucesso Michelle Darnell (Melissa Mccarthy), uma mulher fútil e odiada por todos ao seu redor, exceto por Claire (Kristen Bell), seu braço direito. Certo dia é enviada para a prisão ao negociar informações confidenciais do mercado e passa meses em reclusão. Ao sair, tenta se reerguer aos poucos comandando um empreendimento a partir de deliciosos doces feitos por Claire, ...

Crítica do filme: 'King Jack'

Na adolescência tudo parece o fim do mundo, mas é apenas o começo. Debutando em longas metragens o cineasta Felix Thompson (que dirige e escreve o projeto) consegue realizar um trabalho muito consistente que fala sobre tempos difíceis de um jovem que vive lutando intensamente e diariamente contra seus instintos adolescentes praticamente sem referências. Com competente atuação de seu protagonista Charlie Plummer, King Jack é o que podemos falar de pequena obra com muito valor, aquela raridade que nós cinéfilos adoramos encontrar. Na trama, conhecemos o jovem meio rebelde chamado Jack (Charlie Plummer), um garoto de 15 anos que mora em uma cidade pequenina onde consegue em pouco tempo arranjar confusão para todos os lados. Quando sua tia distante fica doente, seu primo acaba indo morar com Jack, sua mãe e seu irmão mais velho. Aos poucos uma grande amizade vai surgindo e Jack vai começar a descobrir a importância da família em sua vida. Há muitos pontos a se analisar nesta pe...

Crítica do filme: 'Maestro'

A beleza essencial pode estar na sutileza, no subliminar. Dirigido pela atriz e diretora suíça Léa Fazer, Maestro é uma daquelas pequenas obras-primas que achamos no baú empoeirado do mundo mágico da sétima arte. Quase sem possibilidade de exibição nos cinemas brasileiros, o filme é um ato poético sobre o descobrimento do saber usando a estrada do cinema de arte. Ao longo dos curtinhos 81 minutos, somos testemunhas de metáforas filmadas e gestos muitos simples de sabedoria sobre a arte do viver. Na trama, conhecemos o caricato e jovem ator Henri (Pio Marmaï), que sonha em trabalhar algum dia nos blockbusters hollywoodianos mesmo não conseguindo se estabelecer ainda como ator. Certo dia, parece que sua sorte muda quando recebe a chance de trabalhar um filme do conhecido cineasta Cédric Ròvere (Michael Lonsdale), uma referência do Cinema de arte. No set de filmagens, quase um peixe fora d’água, acaba se apaixonando por Gloria (interpretada pela bela atriz belga Déborah Franço...