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Crítica do filme: 'O Contador'

O preço da fidelidade é a eterna vigilância. Dirigido pelo cineasta nova iorquino Gavin O'Connor (diretor do excelente e que absurdamente não fora lançado nos cinemas brasileiros, Guerreiro (2011)) O Contador, protagonizado pelo ator Ben Affleck, igual a cálculos complexos e difíceis da contabilidade é um filme extremamente confuso, longo e que se torna um cansativo quebra cabeça sem solução. O filme estreou no circuito brasileiro de exibição no final de outubro desse ano mas é um daqueles trabalhos que facilmente serão esquecidos rapidamente da memória cinéfila.

Na trama, conhecemos Christian Wolff (Ben Affleck), um contador de uma pequena firma que presta serviços terceirizados de contabilidade. Ao longo do tempo é que vamos percebendo que na verdade Christian (que nem é seu nome verdadeiro), possui um certo tipo de autismo e uma vida dupla estando presente em diversas operações financeiras de procurados pela justiça ao longo dos tempos. Quando o protagonista é chamado por Lamar (John Lithgow), o dono de uma empresa de robótica, sua vida certinha e disciplinada toma um rumo inesperado ainda mais com o Agente do Tesouro Americano Ray King (J.K. Simmons) em busca de sua verdadeira identidade.

O filme possui boas cenas de ação, pra quem curte o gênero. A modelagem da personalidade do protagonista muitas vezes falha com sequências bastante forçadas tentando expor os sentimentos do curioso Sr Wolff. O filme dá sinais de vida apenas quando tenta completar o passado dele, com flashbacks pouco profundos sobre toda a sua história com sua tumultuada família e principalmente seu pai e seu irmão. Muito pouco para um filme de duas horas de duração.


O roteiro, assinado por Bill Dubuque (O Juiz (2014)) acaba sendo o foco principal das críticas desse texto. Muito complicado de entender, algumas situações extremamente forçadas – como o reencontro dos irmãos matadores – tornam o filme um grande enigma para o espectador. Quando assistimos um filme, há sempre um pingo de esperança em nós cinéfilos que no final as peças se encaixam e conseguimos desenvolver argumentos para entender melhor o que vimos ao longo da projeção. No caso de O Contador, que possui uma citação com quebra cabeças, faltam peças para completar o tabuleiro. 

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