Crítica do filme: 'No Fim do Túnel (2016)'

  • fevereiro 12, 2017
  • By Raphael Camacho
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Tudo que é feito no presente afeta o futuro por consequência, e o passado por redenção. Escrito e dirigido pelo cineasta argentino Rodrigo Grande, o eletrizante suspense No Fim do Túnel (2016) é mais um daqueles filmes impactantes que mostram a incrível habilidade dos argentinos em fazer corações cinéfilos felizes. Protagonizado pelo excelente ator Leonardo Sbaraglia (do ótimo O Silêncio do Céu), o longa metragem é adrenalina pura, deixando um envolvente clima de tensão durante grande parte das duas horas de projeção. São muitos méritos dessa pequena grande obra que fala sobre redenção e as habilidades que encontramos em nós mesmos em momentos desafiadores e inconsequentes. 

Na trama, conhecemos o recluso Joaquín (Leonardo Sbaraglia), um homem que vive uma total depressão e que possui dívidas atrás dívidas. Joaquín vive em uma cadeira de rodas em uma casa de três andares e usa uma espécie de elevador para poder se locomover ao subsolo onde mantém uma rotina de trabalho ligado à eletrônica. Certo dia, bate em sua porta uma mulher chamada Berta (Clara Lago) e sua filha buscando moradia em uma das partes da casa que o protagonista colocou para alugar. Pouco tempo depois da chegada dessa misteriosa mulher em sua vida, Joaquín quase que por acaso descobre que criminosos estão cavando um túnel na casa ao lado e que esse túnel passa por baixo de sua casa. Em um ato desafiador e perigoso, o personagem principal resolve filmar e gravar as ações dos criminosos que antecedem o crime: invadir um banco que fica próximo ao lugar onde estão. Assim, após descobrir um grande segredo, resolve fazer de tudo para atrapalhar o plano dos bandidos.

O filme é acelerado em seu começo, o que poderia ser um grande risco para os preenchimentos das lacunas do protagonista. Não sabemos suas origens, o que aconteceu com sua família e quem realmente é aquele homem na cadeira de rodas que vive isolado e carente de convívio social. Mas essa acaba sendo a grande mágica do excelente roteiro, parte direto para os momentos de tensão, que são muitos. No segundo arco, quando Joaquin descobre um segredo, uma parte maior do plano dos criminosos, o filme se torna um thriller eletrizante sem previsão e com muitas alternativas para seu futuro desfecho.  Leonardo Sbaraglia dá um grande show na pele do protagonista, esconde algumas facetas e coloca o público em linha de tensão com atitudes imprevisíveis e arriscadas.

A ótica composta aos olhos do protagonista é feita com louvor, nos sentimos dentro daquela casa mal iluminada a todo instante e com certezas de que muitas emoções estão prestes a explodir na telona. O filme foca na ação do presente, não quer saber do passado dos personagens, essa parte inclusive fica a cargo do público que precisa compor uma espécie de chute cronológico que é formado com algumas referências do que houve tempos atrás com eles, principalmente com o protagonista.  No Fim do Túnel (2016) é um belíssimo filme que reúne excelentes atores, um roteiro exemplar e uma direção minimalista, delicada que nos coloca a todo instante dentro da ação.

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