Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Insubstituível'

O melhor médico é aquele que mais esperança infunde. Chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (09) o drama com pitadas cômicas Insubstituível. Escrito e dirigido pelo cineasta francês Thomas Lilti (do interessante Hipócrates), o longa metragem de 102 minutos é filme maduro sobre a última idade e o profissionalismo em uma carreira onde o carinho precisa ser um dos complementos diferenciais. No papel principal, o astro francês François Cluzet, em ótima atuação.

Na trama, conhecemos o experiente médico Jean-Pierre Werner (François Cluzet), um homem que enfrenta uma grave doença e precisa se reinventar no seu lado profissional onde cuida com visitas a domílicio, e, em um pequeno consultório, de pacientes das mais diversas idades de uma região afastada dos grandes centros no interior da França. Buscando um pouco de descanso em sua meticulosidade que beira ao perfeccionismo, Jean-Pierre precisa de um substituto para tantas funções que exerce e assim chega ao lugar a ex-enfermeira e agora quase doutora Nathalie (Marianne Denicourt) que precisará enfrentar a rabugentice detalhista do experiente doutor para provar seu valor.

Um dos méritos desse bom trabalho é ser bem objetivo em seu roteiro. Temos no primeiro arco, um pouco extendido, preenchimentos de lacunas que moldam a personalidade séria do protagonista. Suas angústias e sua maneira de lidar com os problemas causam bastante impacto nessa personalidade, explorada mais pra frente na narrativa. O filme carece de um grande clímax o que poderia ter uma maior identificação com o público e mais rapidamente. Os últimos arcos, com algumas camadas profundas, outras nem tanto, deixam a tela toda para o grande brilhar de François Cluzet e sua notável atuação. Nomeado ao César (uma espécie de Oscar Francês) desse ano por esse trabalho, o veterano ator francês se entrega ao seu carrancudo personagem com muita delicadeza e honestidade. Uma das inúmeras belas interpretações desse gigante artista que ficou muito mais conhecido após seu inesquecível papel no filme Intocáveis.


Insubstituível não é um filme feito para rir, as camadas cômicas são bem leves e objetivas, as emoções vão contaminando nossos corações aos poucos fruto das lições que o filme carrega no saber lidar com cada subtrama (a dos pacientes) com muita delicadeza, assim, entendemos melhor o valor da maturidade e o reflexo de nossas ações perante a comunidade que vivemos, talvez, o grande e importante paralelo com muitas outras histórias da vida real.


Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...