Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Na Mira do Atirador'

Só os mortos conhecem o fim da guerra. Voltando aos conflitos oriundos da Guerra dos Estados contra o Iraque anos atrás, o cineasta nova iorquino Doug Liman (No Limite do Amanhã, Sr e Sra Smith) apresenta mais um recorte sobre esse conflito, dessa vez com um cenário e poucos personagens, metidos em uma espécie de batalha mental. Na Mira do Atirador , que estreia essa semana no circuito exibidor brasileiro, coloca em xeque todo o poder norte americano dentro de um campo de batalha, em uma posição de fraqueza, além de várias lacunas em aberto deixadas

Na trama, ambientada já no fim da Guerra do Iraque conhecemos os soldados norte americanos Matthews (John Cena) e Isaac (Aaron Taylor-Johnson), que durante uma inspeção a um lugar suspeito no meio do deserto acabam sendo encurralados por um conhecido sniper iraquiano que trava com eles um terrível e manipulador jogo psicológico, principalmente com Isaac, que se refugia atrás de uma grande parede quase destruída, e após Matthews ser atingido. Assim, ao longo dos intensos 88 minutos de projeção, somos testemunhas de um confronto entre o desespero e a paciência.

Sem muitas apresentações e sendo bastante objetivo, o filme (bastante parecido com o ótimo Mine que não estreou no Brasil) caminha para um drama psicológico e um jogo de gato e rato é instaurado. O preparo mental dos soldados é colocado em jogo a todo instante, mescla de desespero com esperança se embaraçam ao longo de toda essa intensa jornada pela sobrevivência. Aaron Taylor-Johnson se esforça para que seu personagem tenha força em cena, Isaac se desconstrói rapidamente, principalmente quando começa a revelar parte de seu passado em campos de batalha e traumáticos eventos causados por ações dele. Tido como vilão, o atirador iraniano só aparece para o público pela voz marcante e capaz de criar um grande quebra cabeça na mente de Isaac. Esse confronto entre a experiência e a juventude é bastante interessante.


Algumas questões são levantadas pelo lado de lá da parede. Talvez a mais reflexiva: ‘A Guerra já acabou, porque vocês não foram embora?’. Na guerra não existe lado, existe a sua verdade, o seu lado da batalha. O roteiro busca ir a fundo em como pensa um soldado norte americano e seu espírito de sobrevivência. Mesmo conseguindo ser bastante profundo em alguns momentos Na Mira do Atirador perde força no terço final mesmo com seu desfecho surpreendente. 

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...