quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Crítica do filme: 'Um Filme de Cinema'

O lugar onde nossos sonhos vivem e que o projetor é acionado pela emoção. Decifrando métodos e pensamentos de grandes nomes do cinema atrás das câmeras, o brilhante homem de cinema - falar que ele é apenas diretor seria muito pouco - Walter Carvalho nos apresenta, por meio de depoimentos marcantes de grandes nomes do cinema mundial, as brechas da realidade, as flechas do tempo, o imperativo do ritmo, pessoas que nos levam a magia na tela lisa onde sonhos e pensamentos são colocados.

A poesia das primeiras imagens já colocam o espectador com os olhos atentos a uma série de argumentos, quase um aulão de ‘pré vestibular cinéfilo’. Entre um pensamento e outro, o escritor Ariano Suassuna e suas deliciosas experiências vendo filme em cinemas emblemáticos do sertão. Há uma poesia de plano de fundo, alguns dirão inexplicável. Nessa grande homenagem a todos que amam a sétima arte, que teve mais de uma década de planejamento e filmagens, Walter Carvalho busca os diferentes motivos que integram a vontade de filmar de grandes cineastas. Gus Van Sant, Julio Bressane, Ruy Guerra, Hector Babenco, Bela Tarr, Ken Loach, Andrew Wajda são alguns dos grandes nomes que prestam depoimentos sobre sua arte de filmar.

Tendo como cenário inicial as ruínas do Cine continental no Sertão da Paraíba,
abordando a linguagem cinematográfica, Um Filme de Cinema que estreia agora em agosto no circuito exibidor brasileiro, não deixa de emocionar. Plano a plano, o prazer e as frustrações, são temas de raciocínios, alguns até em forma metafórica. Os nossos sentidos básicos, o olhar ligado ao espaço e ouvido vinculado ao tempo, seus movimentos e o som, dentro ou fora do quadro, temos uma aula de cinema captadas por argumentações e pensamentos pela lente inteligente de Carvalho.


O capitalismo e a criação audiovisual, o cinema autoral e os pontos do cinema blockbuster,  muita coisa sobre o que cerca a poderosa indústria da sétima arte no mundo a fora também recebe argumentos. Talvez, o depoimento mais marcante sobre cinema x indústria cinematográfica, o húngaro genial Bela Tarr fala que a maioria dos filmes excluem o tempo, por só querer focar em histórias: Ação, corte, ação... Mas assim, ainda segundo o diretor do brilhante de longos planos O Cavalo de Turim, você pode perder muitas coisas que você pode ter na vida. A arte de verdade tem que estar mais próxima da vida do que do mercado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário