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Mostrando postagens de novembro, 2017

Crítica do filme: 'Bingo – O Rei das Manhãs'

Inspirado no período da vida de Arlindo Barreto onde ele interpretava o famoso palhaço Bozo na televisão, Bingo – O Rei das Manhãs, indicado do Brasil ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 2018 e primeiro trabalho como diretor de Daniel Rezende - vencedor do Bafta de melhor edição e indicado ao Oscar na mesma categoria, ambos por seu trabalho no inesquecível Cidade de Deus -  é um projeto marcante, mesmo com altos e baixos, onde vemos um destaque para o relacionamento conturbado entre pai e filho e uma envolvente trama que tenta colocar luz aos mistérios de uma figura emblemática de décadas atrás da televisão brasileira. No papel principal, Vladimir Brichta encontra finalmente seu grande personagem no cinema e exala talento na pele desse complicado, controverso e muito polêmico palhaço. Na trama, conhecemos o ator Augusto Mendes (Vladimir Brichta), um pai amoroso que mora com sua mãe Marta Mendes (Ana Lúcia Torre), uma ex-atriz de novela, e que está buscando melhor coloca...

Crítica do filme: 'Borg vs McEnroe'

Antes de Sampras vs Agassi, antes de Nadal vs Federer, o universo dos esportes, não só do tênis, conheceu uma das mais expostas rivalidades, muito por conta das inúmeras diferenças entre os dois jeitos de ser. Borg vs McEnroe analisa as emoções e o lado psicológico em esportes de alto rendimento mostrando o início de um duelo que ficou marcado como uma das melhores finais de Grand Slam da história do tênis. Dirigido pelo cineasta dinamarquês Janus Metz Pedersen realiza um trabalho primoroso na direção e conta ainda com uma atuação inspirada do ator sueco, pouco conhecido no Brasil, Sverrir Gudnason que interpreta o complexo Björn Borg na fase adulta. Na trama, voltamos a década de 80, no célebre dia da final de um dos torneios mais midiáticos de todos os esportes, a final de Wimbledon entre o sueco e tetra campeão do torneio Björn Borg (Sverrir Gudnason) e o nada carismático tenista norte americano John McEnroe (Shia Lebouf). A construção de como eles chegaram até esse grande m...

Crítica do filme: 'Verão 1993'

Indicado ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro pela Espanha, Verão 1993 , com elogiadas passagens no Festival de Berlim e Festival do Rio, é um filme que fala sobre a visão do luto pelos olhos de uma criança que não consegue se sentir aceita. Muito bem dirigido pela cineasta espanhol Carla Simón, em seu primeiro trabalho como diretora de longa metragem, o filme, com um ritmo bastante lento, navega no campo do descobrimento sobre as coisas no olhar detalhista da jovem protagonista. Na trama, conhecemos a jovem Frida (Laia Artigas) que recentemente perdeu sua mãe, vítima de uma doença terrível, e assim, como um pedido dela, Frida vai morar com um de seus tios em uma casa afastado dos grandes centros. Querendo atenção e muitas vezes não se sentindo aceita, Frida embarca em uma jornada de descobertas onde as interpretações para as situações geram dúvidas na cabeça da jovem. A dor da perda aos olhos de uma criança é sempre algo com variáveis muito complexas. A jovem prota...

Crítica do filme: 'Soldados do Araguaia'

Exibido na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Soldados do Araguaia, dirigido pelo cineasta Belisario Franca (‘ Menino 23’ ), retrata de um novo ponto de vista, dessa vez a de soldados de baixa patente que foram forçadamente recrutados pelos militares da época, a polêmica Guerrilha do Araguaia (no sul do P ará). Ao longo dos intensos 72 minutos de projeção, vamos conhecendo novas histórias sobre os horrores que os militares faziam, em confronto contra guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil, que era puro terror, não tendo nenhuma objetividade de guerra. O roteiro, escrito pelo diretor e Ismael Machado, navega por meio de relatos de testemunhas oculares que participaram da Guerrilha do Araguaia, no início da década de 70 (mais precisamente entre 72 e 75). Suas angústias, argumentos emocionados para que a verdade ganhe luz, uma história apagada da história. Os depoimentos são impressionantes de pessoas que lutaram em uma guerra dentro do nosso próprio país, que...

Crítica do filme: 'Lola Pater'

As atualidades de um morrer por amor. Dirigido pelo cineasta parisiense Nadir Moknèche, Lola Pater fala sobre escolhas, medos e principalmente sobre a relação de pai e filho blindada por uma situação inusitada, de descoberta, onde passos são dados com muito cuidado. Os personagens transbordam emoções, a protagonista exala simpatia. É uma crônica moderna de uma família com descendentes árabes onde as escolham guiaram os destinos de todos anos atrás. No papel principal, a inesquecível Fanny Ardant. a atriz de 68 anos, musa de Truffaut, encontra num complexo personagem um dos grandes trabalhos de toda uma carreira. Na trama, conhecemos Zinedine (Tewfik Jallab), também chamado de Zino, um afinador de instrumentos, motoqueiro que trabalha em uma Paris nos dias atuais. Zino acaba de perder precocemente sua mãe e resolver embarcar em uma jornada rumo ao paradeiro desconhecido de seu pai Farid. Nessa busca, chega até a professora de dança Lola (Fanny Ardant) que para sua surpresa é o...

Crítica do filme: 'Os Parças'

Como acontece em Hollywood desde sua criação, centenas de comédias avançam cinemas a dentro em busca do riso fácil, reunindo gente famosa, da nova e velha guarda, e simplesmente deixando de lado qualidade no roteiro, direção. Os Parças , nova comédia nacional, que estreia na última quinta-feira desse mês de novembro,   busca, através de personagens estereotipados, resgatar histórias de um Brasil largado na malandragem. Dirigido pelo cineasta Halder Gomes (do interessante Cine Holliúdy ) e protagonizado por Tom Cavalcanti, Bruno de Luca, Tirulipa e Whindersson Nunes, atores e comediantes de diversas plataformas, o filme se transborda nos clichês a cada cena não conseguindo criar a tão sonhada fórmula do sucesso que alia qualidade dos atores a regras básicas cinematográficas. Na trama, ambientada em uma São Paulo dos dias atuais, conhecemos dois trambiqueiros que trabalham no centro de São Paulo, um faz tudo de informática que trabalha em uma empresa fake que produz casamentos...

Crítica do filme: 'Como se Tornar um Conquistador'

O tempo não perdoa seu tempo acomodado. Estreou no meio desse ano nos cinemas nacionais a comédia mexicana Como se Tornar um Conquistador . Totalmente despretensiosa e exalando carisma esse projeto mexicano é uma boa diversão que mesmo tendo clichês em cima de clichês consegue se superar pela força dos personagens. Escrito pela dupla Chris Spain e Jon Zack, e protagonizado pelo astro mexicano Eugenio Derbez ( Não Aceitamos Devoluções ) o longa marca a estreia do ator Ken Marino na direção. Na trama, conhecemos o metido a galã de meia idade Maximo (Eugenio Derbez) que vive a 25 anos com uma mulher bem mais velha e cheia da grana. Maximo nunca trabalhou na vida e sempre almejou ter uma vida de conforto sem ter que fazer muito esforço para conquistas. Quando sua esposa o troca por um homem bem mais jovem, Maximo fica sem dinheiro e busca ajuda na irmã, a arquiteta e super mãe Sara (Salma Hayek) que vive uma vida mais simples com sua filho Hugo (Raphael Alejandro). Assim, os irmãos ...

Crítica do filme: 'Muzi v nadeji'

As sutilezas do amor. Escrito e dirigido pelo cineasta tcheco Jirí Vejdelek, Muzi v nadeji (2011) é um filme despretensioso, que se camufla em comédia pastelão mas aos poucos vai cativando nossos corações. Fala muito sobre o amor a quatro paredes, de maneiras um tanto quanto inusitadas, representado por um quarteto de atores inspirados que conquistam o público a cada cena. Uma pequena obra prima européia, perdida, provavelmente nunca vista mas que merece os olhos de todos que amam cinema. Na trama, conhecemos o ex-contador e agora garçom do restaurante da família Ondrej (Jirí Machácek), um homem de fala mansa que vive graves problemas em seu casamento com Alice (Petra Hrebícková). Certo dia, em uma das inúmeras saidinhas do seu sogro Rudolf (Bolek Polívka), das quais Ondrej sempre acaba virando cúmplice, a dupla vai parar em um snooker bar onde encontram a belíssima Sarlota (Vica Kerekes), conhecida do traidor compulsivo Rudolf. Só que dessa vez, a provável conquista acaba fican...

Crítica do filme: 'A Gentleman'

Misturando ação, comédia e romance, com direito a pausas para números musicais super coreografados, chegou aos cinemas de toda a Índia em agosto desse ano, o divertido A Gentleman . Dirigido pela dupla de cineastas Krishna D.K. e Raj Nidimoru, o projeto filmes de ação norte americanos da década de 90 camuflado por um drama existencial, uma verdadeira troca de identidade, que passa o carismático protagonista. Ao longo das mais de duas horas de projeção (os filmes indianos geralmente são bem grandes), o espectador se diverte bastante. Na trama, conhecemos o funcionário exemplar, todo metódico e certinho, de uma empresa com sede nos Estados Unidos e com filiais em outros países, Gaurav (Sidharth Malhotra), um jovem que possui uma paixonite pela amiga Kavya (Jacqueline Fernandez), ambos descendentes de indianos mas que moram nos Estados Unidos vivendo no melhor estilo ocidental, cada um na sua. Kavya ao longo do tempo percebe da intenção de Gaurav e se distancia por achá-lo muito ce...

Crítica do filme: 'A Morte Te dá Parabéns'

O ‘Bu’ que já vimos em outros filmes. Misturando Feitiço do Tempo (com direito a citação ao fim da trama) com diversos filmes do universo terror dos anos 90 (encabeçado pela saga clássica de Wes Craven – Pânico ) chegou aos cinemas brasileiros perto da simbólica data de Dias das Bruxas, A Morte Te dá Parabéns . Sem nenhuma pretensão de fazer algo diferente do que visto em outros roteiros, em relação aos mistérios envoltos a um assassino mascarado, esse projeto ganha a intenção apenas de trazer para geração do whatsapp um pouco do passado dos filmes de terror norte americano que levaram milhares ao cinema para conhecer seus mistérios. Na trama, dirigida pelo cineasta californiano Christopher Landon (do engraçadinho Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi ), acompanhamos a fútil e desinteressada Tree (Jessica Rothe, do simpático Sobre Viagens e Amores ), uma estudante de graduação que vê o inusitado acontecer em sua vida quando o mesmo dia se repete seguidamente, e o pior: ela morre ao...

Crítica do filme: 'O Dia Depois (Geu-hu)'

O confronto das palavras com o real. Concorrente a Palma de Ouro na edição passada no Festival de Cannes, Geu-hu, no original, é um retrato profundo sobre os sentimentos, suas razões e emoções quando afloram, fala também sobre a existência e maneiras de pensar sobre, não deixando de lado a forma como enxergamos as visões dos outros. Fragmentado quase em capítulos desordenados, com um preto e branco maravilhoso de pano de fundo, O Dia Depois mostra mais uma vez a todos o imenso talento do cineasta sul coreano Hong Sang-soo que nos apresenta a arte de decifrar as filosofias do universo de maneira madura e ao mesmo tempo as incertezas imaturas dos relacionamentos. Na trama, conhecemos Song Areum (Min-hee Kim), uma jovem que vai para o primeiro dia de seu novo emprego em uma pequena editora comandada por Kim Bongwan (Hae-hyo Kwon). Se identificando demais com seu novo chefe durante os longos diálogos que participam os dois durante um almoço, tudo ia muito bem. Mas certa hora do dia,...

Crítica do filme: 'Estes Dias' (Questi Giorni)

Na juventude, aprendemos; na maturidade, compreendemos. Exibido no Festival de Veneza do ano passado onde concorreu ao Leão de Ouro, Estes Dias , ou Questi Giorni no original é um Road movie italiano que explora a passagem da adolescência para a vida adulta de quatro amigas que embarcam em uma viagem de descobertas, sentimentos e muito aprendizagem. Escrito e dirigido pelo cineasta Giuseppe Piccioni, o projeto explora as emoções, as dores e as inconseqüências da vida por quatro óticas completamente distintas mas que se completam de alguma forma. Na trama, conhecemos Liliana (Maria Roveran), Caterina (Marta Gastini), Anna (Caterina Le Caselle) e Angela (Laura Adriani), quatro amigas que se conhecem desde a infância que viem momentos distintos de suas vidas. Liliana enfrenta um câncer e nutre uma paixonite por um atencioso professor da universidade que freqüenta, Caterina resolve embarcar em um novo destino se mudando de país em busca de descobertas, Anna está grávida do namorado...