Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Depois Daquela Montanha'

Nem sempre reunir dois ótimos atores transformam um longa metragem em algo inesquecível. Lançado no final do ano passado no circuito brasileiro, Depois Daquela Montanha é aquele tipo de filme que com certeza estará na sessão da tarde daqui alguns anos. Bastante água com açúcar, sem muita originalidade, dirigido pelo cineasta israelense Hany Abu-Assad (dos espetaculares Paradise Now e Omar) com roteiro baseado na obra de Charles Martin (The Mountain Between Us), o projeto cai nas armadilhas dos clichês em todos os seus arcos.

Na trama, conhecemos a jornalista e fotógrafa Alex (Kate Winslet) que está tentando viajar para chegar a tempo de seu casamento. Ben (Idris Elba), é um médico cirurgião que está voltando para casa de uma conferência médica. Ambos iriam embarcar no mesmo avião mas o vôo é cancelado. Com pressão para chegarem aos seus destinos, resolvem alugar um avião de pequeno porte. Mas o imprevisível acontece, o piloto do avião sofre um ataque durante a trajetória e ambos caem no meio de montanhas geladas cobertas de neve. Assim, usando todos os recursos possíveis, precisam se unir para sobreviver enquanto não conseguem ajuda.

Tem coisas no cinema que não dá pra entender. Depois de trabalhos excelentes em filmes passados, o cineasta israelense Hany Abu-Assad resolve ir tentar a sorte pegando um blockbuster hollywoodiano. Parece que a sua essência se perde a cada diálogo sonolento. O desenvolvimento dos personagens é feito de maneira romance dos anos 90, onde tudo se encaixa perfeitamente. Parece filme de produtor, que adota fórmulas de outras histórias para convencer o espectador de que o romance proposto possui alguma força.


Mesmo tendo Idris Elba e Kate Winslet, dois grandes nomes do cinema mundial atualmente, o filme não convence. Falta desenvolvimento na trama, tudo parece muito corrido. O clichê principal, já no fim do filme mostra que o livro deve ser bem melhor que o filme. 

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...