Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Midway - Batalha em Alto-Mar'


Ataques e contra ataques, o mar não esquece os seus. Não é de hoje que temos blockbusters de guerra sendo lançando nos cinemas e logo depois ganhando as telinhas da tv aberta brasileira. Num primeiro momento Midway é um recorte confuso, repleto de subtramas que não são bem explicadas, nos arcos próximo ao fim, apostam na chegada de rostos conhecidos dos cinéfilos, o que não ajuda muito ao roteiro picotado nessa grande batalha naval que é instaurada. A versão norte americana dos fatos, se torna uma grande viagem barulhenta, forçando a tudo o que acontece virar algo heroico aos olhos do público.

Dirigido pelo famoso cineasta alemão Roland Emmerich (Independence Day, entre outros filmes no currículo), o longa metragem que fora lançado no Brasil semanas atrás, relata um lado da versão dos fatos de uma das batalhas em alto mar mais importantes para as definições da Segunda Guerra Mundial em favor dos aliados. A partir desse foco, várias histórias de oficiais são contadas, no céu, no mar e terra.

Há uma grande força no roteiro de tentar ir mais profundo possível em como os japoneses devem ter agido em seu clímax, mas através dos olhos dos norte americanos. Além do parêntese de importância para a equipe de inteligência doa aliados, a relação dos oficiais com suas famílias não passa da superfície, preferindo pegar um gancho para fortalecer o entendimento na amizade de alguns personagens, mesmo nem todos estando conectados. Os efeitos especiais são muito bem feitos (nisso não há dúvidas que Hollywood sabe fazer muito bem) e a principal característica dos personagens principais é quase um total descaso com a segurança pessoal não importando se possuem família ou não.  

A trilha sonora assinada pela dupla Harald Kloser e Thomas Wanker é pavorosa. Da dor de cabeça só de lembrar escrevendo esse texto. O filme cisma em não terminar, o último arco é especialmente ruim, com personagens sem emoção, robóticos ou fazendo cover de outros personagens de outros filmes que abordam temática parecida. Para quem curte filmes de guerra pode até ser uma boa diversão mas como cinema faltou muito para Midway - Batalha em Alto-Mar convencer.

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...