Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'A Maratona de Brittany'


Os benefícios mental e corporal a partir de mudanças chaves na nossa rotina. Cinema é um ótimo jeito de conscientizar pessoas ao redor de todo o planeta, com esse pensamento o debutante em roteiros e direção cinematográfica de longas-metragens Paul Downs Colaizzo resolve contar com bastante realidade e de maneira muito objetiva, a trajetória de uma mulher que entra em uma auto descoberta sobre a vida perto dos 30 anos e revoluciona sua maneira de pensar, agir e se cuidar. Exibido no Festival de Sundance no ano passado, e passando quase desapercebido pelo circuito exibidor brasileiro, o projeto conta com ótima atuação da atriz Jillian Bell.

Na trama, conhecemos a baladeira e descompromissada com a vida Brittany (JIllian Bell), uma mulher de 28 anos, gordinha que não consegue se encontrar em nenhuma parte de sua vida. Após uma consulta de rotina ao médico, descobre que seu corpo vai muito mal das pernas e resolve mudar da água pro vinho sua rotina, começando pelo grande desafio de conseguir correr todo dia na rua para se exercitar. Essas corridas logo se transformam em bem estar, amizade, mudança radical na sua rotina e assim, batalhando contra sua mente do passado, ela foca para encarar todos os desafios que a vida lhe coloca.

Impressionante como em menos de duas horas de fita, um projeto consegue tocar em tantos pontos importantes na vida de uma pessoa. Muito bem filmado, o espectador se sente a todo instante, de alguma forma louca que só o cinema consegue, interagindo com a personagem, interpretado pela ótima Jillian Bell (que perdeu cerca de 40 quilos durante as filmagens, assim como sua personagem durante o curso do filme). As lições sobre as amizades positivas e negativas, o preconceito (a parábola do segurar ou não a porta do metrô é excelente), as oportunidades que batem a porta e precisamos estar preparados, luta de viver numa cidade grande, concorrência para conseguir um bom emprego, o roteiro navega de maneira deliciosa por esses e outros ótimos temas sempre tendo como pano de fundo as ações e reações da protagonista.

Baseado na vida de Brittany O'Neill, como deixa claro no final, nos créditos, A Maratona de Brittany é um despertador de emoções muito bonito. Acredito na premissa de que quem assiste a esse filme pode também conseguir querer mudanças, lutar e ser feliz. No final das contas, o que importa é como nos vemos, não os outros.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...