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Crítica do filme: 'Chasing Trane'


É algo realmente notável tocar em um nível tão especial. Tentando decifrar, de alguma forma, parte da genialidade de um dos maiores músicos saxofonistas da história desse imenso planeta em que vivemos, Chasing Trane, dirigido pelo cineasta John Scheinfeld, exibe várias curiosidades de um dos mitos das origens do jazz, John Coltrane. Filho único, nascido no sul dos Estados Unidos, tocava em casas de shows badaladas (algumas cheias de cafetões e vigaristas) trabalhando para sustentar sua esposa e a sua enteada, desde os tempos em que era integrante da espetacular banda de outro genial, Miles Davis (Miles Davis Quintet). O documentário, que tem narração de passagens na voz de Denzel Washington, é cronológico e aos poucos, com muitos detalhes, acompanhamos a construção desse mito do sax. Um projeto para sempre ser exibido a cada nova geração. Nunca podemos nos esquecer dos bons, jamais.

A dor que temos, a esperança que sofremos. Em suas canções, e principalmente após se descobrir um ótimo compositor, Coltrane aborda política, desigualdade social e outros temas em um som puxado para um pop jazz que ninguém fazia, sendo responsável pela divulgação cada vez mais forte do poderoso jazz norte-americano. Viciado em heroína logo no início de carreira, quase seguindo o destino de outra lenda do jazz Charlie Parker (Bird, do qual era fã), Coltrane consegue com muita força de espírito sair de alguma forma desse vício horroroso o que elevou sua vontade de viver e automaticamente sua criatividade musical.

Com depoimentos de biógrafos, filósofo, músicos como o baterista do The Doors que era seu fã, amigos próximos, parte de sua família, e até do ex-presidente Bill Clinton, vamos navegando na mente de um dos mais criativos artistas das últimas décadas. Imagens antigas da década de 40, 50 e 60 caminham junto à cronologia que que se adapta a todos os feitos e importantes marcos na carreira de Coltrane, como a composição de um de seus maiores sucessos Alabama que teve como inspiração o terrível atentado a uma igreja batista por supremacistas brancos que mataram quatro crianças.

Contra o contexto do preconceito os negros usavam a música como forma de alegria e equilíbrio emocional. Há um paralelo importante entre Martin Luther King e John Coltrane, o segundo encontra na música uma forma de lidar contra tudo de complicado que enxerga ao seu redor, e nós sentimos em nossos corações.





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