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Crítica do filme: 'Chorão: Marginal Alado'


As diversas facetas de um intenso sonhador. Dono de um processo criativo intenso, uma alma feita de sonhos, uma juventude nas letras, identidade vocal marcante, com um lado explosivo muito visível mas também um lado carinhoso e querido. Não se enquadrava, gostava das coisas do jeito que ele queria. Chorão: Marginal Alado conta de maneira curta e objetiva, ao longo de menos de 80 minutos, a trajetória de sucesso até o declínio triste de um dos artistas mais impactantes das últimas décadas, Chorão, da lendária banda Charlie Brown Jr. De Santos para mundo, chegou até a participar de diversos campeonatos de skate freestyle antes de descobrir, inusitadamente, a vocação para cantar e compor. Editores de revistas, produtores musicais, músicos, skatistas, amigos, ex-integrantes da banda Charlie Brown Jr., nos contam sua visão sobre essa personalidade da cultura pop brasileira que deixou um legado até os dias atuais, com letras e canções atemporais.


O título do filme está gravado no seu braço. Sonhador, possui uma inquietação frequente a todo instante, oriundo de uma personalidade forte que reúne históricos de brigas, inclusive com nomes famosos como João Gordo e Marcelo Camelo, fora com os próprios integrantes da banda que criou. Essas situações de brigas ao longo dos tempos de rockstar mostrava claramente como Chorão não sabia muito bem lidar com os sentimentos e nem dizer as coisas de maneira objetiva, as coisas precisam para ele ser do jeito dele senão não valia a pena ou não estavam certos. Sua ex-namorada conta os altos e baixos da relação com ele. A questão das drogas é contada de diversos pontos de vista, até o descontrole no vício, ele não gostava de consumir na frente dos outros.  


Mas a vida cobra sério e realmente não dá pra fugir. Não sabia lidar com problemas de uma forma tranquila, isso foi o consumindo. Além dos visíveis contrapontos das loucuras de milhares de pessoas nos shows pelo Brasil com um pós-solitário momento sozinho logo em seguida. Do êxtase ao silêncio, extremos que o fizeram se sentir consumido dentro de suas já conhecidas inquietações entre as centenas de viagens anuais fazendo shows pelo país. Mas não só ele sentiu essa pressão, o baixista da banda, Champignon, se suicidou sete dias após o seu depoimento exibido nesse filme.


Ame-o ou não, impossível negar verdade claras: Chorão deixou um legado, gerações após gerações continuam ouvindo suas letras e que de alguma forma se encaixam nas rupturas sociais constantes que acontecem no Brasil.

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