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Crítica do filme: 'Nós Duas'


Amor escondido é igual a liberdade dentro de um quadrado. Representante da França ao Oscar 2021 e indicado ao Globo de Ouro, Nós Duas, Deux no original, é uma interessante incursão sobre sentimentos íntimos de duas mulheres mais velhas, que se conhecem toda uma vida, onde fora colocado um papel no buraco da fechadura para os demais jamais, ou nem ao menos, terem a chance de se intrometer. Honesto e bastante delicado, trata com muito respeito a questão da aceitação do amor de duas mulheres apaixonadas e o eterno receio do que os outros podem pensar sobre isso. Destaque para Barbara Sukowa, uma das melhores atrizes europeias, não só da atualidade, em mais uma atuação magnífica, vibrante e delicada ao mesmo tempo.


Na trama, conhecemos Nina (Barbara Sukowa) e Martine (Martine Chevallier), duas mulheres já bem mais velhas que durante toda uma vida vivem um amor escondido. Vivem em um prédio, de dois apartamentos por andar, e ambas moram uma de frente pra na outra. Tentando dar um passo importante na relação, elas resolvem procurar soluções para o futuro e quem sabe até contar para a família de Martine (já que Nina é sozinha no mundo) sobre o relacionamento que vivem. O problema é que essa última, sofre um avc e tudo muda bastante na rotina escondida das duas amantes.


Há um belo brilho na poesia que camufla os conflitos, seja na visão e descoberta dos filhos de Martine, seja nos embates intensos entre as almas gêmeas. O amor é um dos focos, dividindo a tela com a questão do pré-conceito/preconceito e também de um complexo relacionamento entre mãe e filhos por conta de um segredo de anos e descoberto apenas por causa da situação emergencial que estão passando. O roteiro faz um trajeto bonito entre os arcos. No mais reflexivo, as memórias ganham contornos metafóricos e de alguma forma nos fazem entender melhor a quão profundo é o sentimento de afeto e carinho que Nina e Martine possuem. Impossível não se apaixonar por essa história.  

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