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Crítica do filme: 'O Mundo de Gloria'


Nas dificuldades que conhecemos a dura realidade que nos atinge. Buscando ser sincrônico com a realidade de muitos, O Mundo de Gloria explora a questão do trabalho na França, as oportunidades, as escolhas, uma curta visão sobre dificuldades no empreendimento, também abre um grande holofote para questões e dramas familiares. Indicado ao Leão de Ouro em Veneza no ano de 2019, escrito e dirigido pelo cineasta francês (nascido em Marselha) Robert Guédiguian, o drama busca ser um retrato comovente sobre como é viver nos limites de uma sociedade capitalista e com chances para poucos.


Na trama, conhecemos uma família que começa e buscar sentido em seus problemas após o nascimento de Gloria. A esforçada avó que tem que pegar mais de um turno no trabalho como faxineira de grandes empresas, tem o avô da recém-nascida, que esteve preso por duas décadas após uma situação mal compreendida, A sobrevivência em tempos tão complicados chega também no contexto dos jovens pais de Gloria, a mãe é vendedora de uma loja de artigos femininos, o pai é motorista de Uber. Há também a tia e suas impressões muitas vezes cruéis sobre a irmã, que mesmo criadas juntas possuem distanciamento na forma de pensar. A interseção chega com as dificuldades de cada integrante dessa família e seus subsequentes problemas financeiros que afetam a todos de alguma forma.


Ambientado em uma Marselha nos tempos atuais, Guédiguian, como em outros filmes de sua autoria, busca um olhar mais detalhado sobre as condições sociais e financeiras de famílias em busca de dias melhores. A partir disso, várias situações nos levam a reflexões variadas conforme são feitas as escolhas dos amargurados personagens. Mesmo na superfície em muitas questões, como por exemplo fazer ou não fazer greve no trabalho, as razões em um embate sobre o risco de ser demitido e o justo aumento de mais direitos para o trabalhador são válidos para nos fazer ecoar em nosso pensar sobre esses tempos tão complicados para muitos não só nos países da Europa camuflados de potência econômica.


Vencedor do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza de dois anos atrás (Ariane Ascaride), O Mundo de Gloria mesmo sendo visto como vários recortes reverberando dentro do universo trabalhista secundário (mão de obra não muito qualificada) consegue retratar a beirada do caos emocional de uma família limitada de dentro pra fora e de fora para dentro. Não há margem para perfeição na luta diária de cada dia.  

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