Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Sem Filhos'


A busca pelos sonhos e seus caminhos diferentes para cada indivíduo. Em seu primeiro longa-metragem, o cineasta mexicano Roberto Fiesco nos mostra sua adaptação a uma comédia homônima espanhola de 2015. Mesmo na água com açúcar, esbarrando em muitos clichês, provoca um pequeno mas válido debate sobre o querer ou não ser pai ou mãe dentro de uma sociedade que muitas vezes impõe seu modo de pensar dentro do senso comum. Há conflitos internos e psicológicos dos personagens como se fossem um escudo para enfrentar as questões da vida até ali. Disponível na Netflix.


Na trama, conhecemos Fidel (Alfonso Dosal), um homem na casa dos trinta e poucos anos, divorciado que tem uma chamativa loja de instrumentos musicais no centro de uma cidade mexicana. Ele tem uma filha, Ari (Francesca Mercadante), por quem tem um imenso carinho. Certo dia, reaparece na sua vida uma conhecida de outros tempos, a fotógrafa Marina (Regina Blandón) por quem logo se apaixona. A questão é que Marina não gosta de crianças, assim Fidel precisará inventar uma história mirabolante para não perdê-la.


A narrativa é simples e contorna os caminhos das emoções bem na superfície, parece seguir uma receita de bolo. Os personagens são carismáticos mesmo que o roteiro esbarre em clichês batidos. O grande ponto de reflexão contorna a questão de que nem todos nascem com o sonho de serem pais, uma escolha simples e objetiva de cada indivíduo mesmo com a pressão de um contorno de círculos sociais. Quase vira um confronto de momentos da vida fazendo o amor chega a coeficientes em comum, Marina é autossuficiente em seus ganhos, curtiu sua liberdade durante anos mas algo começa a mudar nela quando se aproxima de Fidel, esse último já quase descrente com a vida reunindo toda sua positividade para sua filha.


Pena que o roteiro não consegue se aprofundar na relação entre pai e filho, na questão de Fidel com seu pai, um homem que largou a família em busca do sonho de ser cantor. Essa parte da história parece ficar em um subplano explorado de maneira corrida nos arcos finais.


De qualquer forma, Sem Filhos pode ter o olhar de um bom divertimento, um filme para ver com a família mesmo não passando de uma boa sessão da tarde.

 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...