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E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #425 - Caru Alves


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de São Paulo. Caru Alves tem 41 anos, é diretora, roteirista e produtora. Formada em História pela USP (Universidade de São Paulo), desde 2008 vem realizando documentários para TV, curtas e longas de ficção, além de séries documentais e ficcionais. A realizadora é também membro do Coletivo Vermelha, um grupo de profissionais mulheres do audiovisual de São Paulo, e do Coletivo casadalapa, composto por artistas de rua, designers, e profissionais do cinema. Seu segundo longa-metragem de ficção, Meu nome é Bagdá (2020) ganhou o Grand Prix de melhor filme da Mostra Generation 14plus do 71º Festival Internacional de Berlim.  Atualmente desenvolve o roteiro de seu terceiro longa-metragem Corações Solitários e foi selecionada para fazer parte do Master escénicas e cultural visual do Museu Reina Sofia em parceria com a Universidade Castilla-la Mancha, em Madrid, Espanha.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Em relação à programação meu cinema favorito são as salas do Espaço Itaú. Eu acho que tem uma variedade de filmes muito grande, e ao mesmo tempo bem cuidada, e por isso posso ir para o cinema sem planejar o que vou ver, pois sempre vai ter ao menos um filme que gostaria de ver.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock. Quando eu tinha 7 anos minha mãe alugou Bambi para mim e Janela Indiscreta para ela. Eu acabei vendo o filme de Hitchcock e mudou minha vida e a partir de aí parei de ver somente filmes para crianças.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Eu adoro Kids, de Larry Clark.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral. Acho um filmaço, feito com muito sangue nos olhos.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Não conseguir ficar mais de 2 dias sem ver um filme.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feita por pessoas que entendem de cinema?

A maior parte não, já que a maior parte das salas de cinema é composta por esses multiplex onde entram somente filmes que já fizeram sucesso em outros países ou filmes nacionais com potencial para fazer grandes bilheterias. Me parece um critério muito mais comercial que criativo.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Eu acho muito difícil, pois ir ao cinema é uma experiência tecnológica e compartilhada que não se pode substituir pela sala de uma casa.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Cafarnaum, de Nadine Labaki é um filme que deveria ser visto por muitas pessoas.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Eu acho que garantir um limite de capacidade que permita o distanciamento entre as pessoas nas salas, e garantir que todos utilizem máscara dentro dos cinemas poderia fazer com que os cinemas voltassem antes da vacinação massiva no país. O ideal seria que tivéssemos um governo federal que desse condições para que os estabelecimentos comerciais pudessem estar fechados - e pagando seus funcionários - em períodos onde o contágio esteja alto, mas sabemos que pelo contrário, o governo presidido por jair Bolsonaro é omisso e, mais que isso, é ativo na manutenção da alta de contágios por coronavírus no Brasil, levando milhões de brasileiros à morte.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Eu acho que com as políticas públicas construídas pelos governos anteriores o cinema brasileiro estava adquirindo uma maior diversidade e uma qualidade reconhecida internacionalmente. Mas essa ascensão foi interrompida pelos governos Temer e Bolsonaro.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Bom, nunca perco os filmes de Laís Bodanzky, Anna Muylaert, Julian Roja, Marco Dutra, Kleber Mendonça...

 

12) Defina cinema com uma frase:

Putz... não saberia fazê-lo.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Eu adoro ir ao cinema do Centro Cultural São Paulo, pois sempre tem alguém que vai para lá para dormir, e eu acho muito legal a ideia de ter um cinema que é tão barato e acessível que um escolhe ir para poder dormir tranquilamente.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Um desastre fascinante.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Eu acho que para dirigir um filme uma diretora ou um diretor tem que dirigir um filme.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

São tantos... mas eu lembro de ter ficado muito irritada com o filme Evita e saí no meio. Mas não sei se me irritaria novamente com o filme, vi faz muito tempo.

 

17) Qual seu documentário preferido?

 

Nossa, são tantos que é muito difícil escolher um. Mas eu amo Daguerreotypes, de Agnès Varda.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?  

De uma sessão comercial? Não muitas vezes. Em festivais de cinema, muitas vezes.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

hahahaha, o "senhor caretas"? Bom, eu adoro Arizona nunca mais, dos irmãos Coen. Mas eu me divirto vendo qualquer filme dele, ele faz umas caretas muito engraçadas.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Putz, não leio muito nenhum site em geral....

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