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Crítica do filme: 'Cinderela Baiana'


Filme que começa torto, nunca se endireita. No mesmo ano em que Titanic conquistava tudo que era prêmio no Oscar, que talvez o melhor filme já feito aqui no Brasil era lançado nos cinemas (Central do Brasil), ano que o nosso país escolhia Sheila Mello como a nova loira do Tchan (vencendo 3.500 candidatas), chegava ao mercado audiovisual brasileiro um dos projetos que mais ficaria na lembrança de todos que tiveram a oportunidade de o assistir: Cinderela Baiana. Dirigido por Conrado Sanchez, produzido por Antonio Polo Galante, e protagonizado pela dançarina Carla Perez o filme é uma tentativa de musical dentro de um contexto dramático mostrando a história de vida sofrida de Carla, a protagonista, que vê seu mundo mudar quando é escolhida para ser dançarina de um grande show de um caricato empresário.


A protagonista teve uma infância sofrida, seus pais se esforçavam em trabalhos que não pagavam quase nada e muitas vezes não tinham dinheiro para alimentar a filha. A mãe Maria (Juliana Calil) e a jovem Carla inclusive iam até a beira da estrada em busca de algumas moedas jogadas por caminhoneiros que passavam pelo lugar. O pai de Carla, Gomes ((Armindo Bião) acaba conseguindo um emprego em Salvador em um escritório de contabilidade a partir da ajuda de um amigo onde trabalhava com jardinagem só que paralelo a isso sua esposa falece por um problema no pulmão. Assim, somente pai e filha embarcam para uma viagem que iria mudar suas vidas.


A ingenuidade da protagonista é facilmente detectada mesmo em uma atuação sofrível de Carla Perez. O projeto busca criar mensagens, colocar pontos para reflexão, mas completamente sem noção de qualquer técnica minimamente interessante pensando cinematograficamente. Passa rapidamente pela questão da fé, sobre a cena cultural baiana. Há uma tentativa de crítica social, abordando o preconceito mesmo que em cenas toscas, muito mal interpretadas e dirigidas. Parece que não se leva a sério, nem quando busca sentido para a amizade da personagem principal com os amigos dos tempos de Alagados (Bairro pobre de salvador localizado na Península de Itapagipe e instalado numa região de manguezal). Um desses amigos, Chico, é interpretado pelo ator Lázaro Ramos em um de seus primeiros trabalhos no cinema.


Mensageira da boa sorte? Reunião de clássicos dos primórdios do axé? Cinderela Baiana, pode ser entendido (ou melhor, não entendido) de várias formas. Um dos filmes brasileiros com menor nota no IMDB, o mais famoso filme trash feito no nosso país, não passa de uma tentativa de musical com música alta e pessoas dançando aleatoriamente.

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