Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'King Richard: Criando Campeãs'


As inúmeras formas de entender a vida. Chegou ao ainda morno circuito de exibição brasileiro nesse final de 2021, o drama King Richard: Criando Campeãs que conta basicamente a história de sucesso das irmãs Venus Williams e Serena Williams, que ao lado de seu pai, Richard, conseguiram os holofotes do mundo com inícios de carreiras impressionantes. O foco aqui nesse longa-metragem dirigido pelo nova iorquino Reinaldo Marcus Green é o pai e sua maneira de educar e sua obsessão pelo sucesso das filhas. Indicado a quatro categorias no Globo de Ouro 2021, com roteiro assinado por Zach Baylin, o projeto busca seus pontos reflexivos sobre educação e família muito além do esporte.


Na trama, conhecemos Richard Williams (Will Smith), um homem obcecado em fazer suas filhas Venus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) terem sucesso como jogadoras de tênis. Dono de uma enorme teimosia, ele as treina de dia e trabalha como segurança à noite. Como o desenvolvimento das garotas no esporte, as portas começam a se abrir e Richard toma à frente de negociações, contratação de treinadores e escolhas que em muitos casos não são divididas com sua família, o que acaba gerando conflitos principalmente com a esposa e mãe de suas cinco filhas, Oracene (Aunjanue Ellis). Vale o destaque para a atuação de Aunjanue Ellis, muito segura em um papel secundário, difícil, impressiona no domínio de sua forte personagem.


O roteiro acerta quando encontra os paralelos com o esporte praticado pelos personagens. Dois oponentes ou duas duplas de oponentes em uma quadra dividida por uma rede, um jogo de tênis ou as leis da sobrevivência em uma realidade muito distante de uma felicidade plena? Por mais que tenha massivas menções à chatice de Richard, fato que incomoda demais ao longo das mais de duas horas de filmes, a mensagem por trás de algumas atitudes refletem o paradigma clássico do medo, dos obstáculos da vida. Há vários pontos de reflexão nesse contexto. E falando em Richard, há um conflito nesse personagem que é quase indecifrável, por meio de exageros e provavelmente, licenças poéticas, vamos buscando soluções para decifrar os arranhados traços emocionais de um homem e um eterno conflito com o futuro.


King Richards é uma biografia com mensagem motivacional ligado a um esporte muito praticado mas pouco acessível. As mensagens contra o preconceito, os valores familiares, as causas e razões dos conflitos de seus personagens, são fatores que contribuem para um bom andamento da narrativa que muitas vezes superam uma essência de sessão da tarde embutida em algumas sequências. Como observação, para os amantes desse esporte, vale a menção a famosa partida entre Vênus Williams e a campeã espanhola Arantxa Sánchez Vicario, jogo marcado por uma polêmica bem detalhada no projeto.

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...