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Crítica do filme: 'Lulli'


O processo de aprendizado das fases da vida. Buscando pontos reflexivos sobre um período sempre caótico na vida de muitos de nós, nas transições para a fase adulta, Lulli, filme disponível no catálogo da Netflix chega a ser ingênuo em muitos momentos. Pegando uma receita de bolo oriunda de um cinema norte-americano com suas fórmulas e clichês que sempre tem consumo, o filme percorre o superficial deixando mensagens óbvias sobre o amadurecimento. O filme é dirigido pelo cineasta César Rodrigues e tem no papel principal, a atriz Larissa Manoela.

Na trama, acompanhamos a esforçada estudante de medicina Lulli (Larissa Manoela), uma jovem de classe média baixa que sempre teve o objetivo em ser médica. Na fase final desse sonho, já na residência, busca encontrar um equilíbrio entre sua carreira e o seu relacionamento com Diego (Vinícius Redd). Durante um exame em um paciente em estado muito debilitado, Lulli acaba levando um grande choque o que faz com que ela ganhe o poder de ler a mente das pessoas. Assim, acaba entrando em uma espiral de redescoberta sobre o poder da comunicação em relação ao que sente sobre os que a cercam.


A narrativa é aquela básica já mencionada, tudo é muito fácil, tudo é muito simples, raso, longe da realidade do amadurecimento. As subtramas são mal exploradas, sem brilho. Os amigos que cercam Lulli entram no modo caricato jogados em diálogos sem expressões, bem longe da complexidade que é o viver. As cenas entre mãe e filha não encontram a profundidade necessária para entendermos por completo aquela relação e as transformações que acontecem a partir do acidente. A parte amorosa, o amor da protagonista e Diego, ligada ao mais puro sentimento, se prende em um ciúme bobo não desenvolvendo a relação propriamente dita. O sonolento roteiro, assinado por Renato Fagundes e Thalita Rebouças, fica numa região intermediária entre o absurdo e o mais do mesmo.


Lulli deve fazer um sucesso de views já que Larissa é uma das atrizes de sua geração com mais seguidores e fãs que traz desde seus primeiros trabalhos na televisão. Mas como cinema, é uma página esquecível, sonolenta, água com açúcar demais.


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