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Crítica do filme: 'Cabeça de Nêgo'


As realidades de um Brasil. No final do ano passado, depois de uma carreira em festivais de cinema no Brasil e em outros países, chegou ao circuito exibidor um dos filmes mais impactantes do cinema brasileiro dos últimos anos, Cabeça de Nêgo. Discutindo e fazendo refletindo sobre o preconceito, o racismo e muito sobre o precário sistema de educação pública do nosso país, o longa-metragem dirigido por Déo Cardoso é um soco no estômago que escancara a realidade vivida por muitos em um país sem oportunidades e preso a interesses. Disponível no catálogo da Globoplay.


Na trama, conhecemos Saulo (Lucas Limeira), um jovem muito inteligente que após uma discussão em sala de aula e ser ofendido por um outro colega de classe, resolve protestar não saindo das dependências da escola. O assunto ganha as redes sociais e junto a outros colegas começa a divulgar as precárias condições do colégio onde estuda que acabam provocando um grande embate com a direção do colégio, políticos e poderosos da região.


Quando nada vai bem, é preciso reagir. Explorando a questão da importância do protestar, o projeto coloca o dedo na ferida do sistema educacional brasileiro que vem se deteriorando ao longo dos anos causando um descaso contra muitos jovens de nosso país que estão matriculados na educação pública. Por meio das ações do protagonista, vemos cenas muito parecidas que acompanhamos do lado de cá da telona.


A questão do racismo é outro foco. A partir do insulto, Saulo provoca reflexões, muitas dessas inspiradas por um livro dos Panteras Negras (organização urbana socialista revolucionária fundada por Bobby Seale e Huey Newton em outubro de 1966) a partir da sua ação em ficar no colégio.


As reflexões são inúmeras nesse belíssimo trabalho de Déo Cardoso. É um filme que precisa ser mostrado em sala de aula, ter muitos debates sobre os poderosos temas que aborda. É pra ver e rever! Filmaço brasileiro!



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