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Crítica do filme: 'A Tragédia de Macbeth'


A eterna discussão sobre os limites do desejar. Uma das mais curtas peças de Shakespeare ganha mais um recorte, uma adaptação para a telona, dessa vez sob a chefia do craque Joel Coen. A Tragédia de Macbeth disponível na Apple Tv +, mostra a questão do regicídio, do orgulho, da ambição, da quebra da moralidade em um texto impecável, com intrigantes personagens, onde a profundidade e a atemporalidade impressionam. No papel principal, o espetacular Denzel Washington que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator nesse ano por essa sua impressionante atuação.


Na trama, conhecemos Macbeth (Denzel Washington), um grande soldado e lorde escocês que após ter um inusitado encontro com bruxas, acaba entrando na paranoia de executar o que lhe foi falado que seria seu destino. Assim, ele e sua esposa, Lady Macbeth (Frances McDormand), resolvem criar um plano maquiavélico que envolve a morte do atual rei Duncan (Brendan Gleeson).  


Escrito no início de 1600 e com diversas versões que sempre buscaram mostrar as forças dos conflitos ligados as consequências das atitudes de seu protagonista, a essência de Macbeth é fazer refletir sobre os limites do ser humano em contraponto a seus sentimentos. Aqui não é diferente. Os paralelos sobre a expressão do medo, a paranoia que chega sem dias para ir embora, o caos emocional que é instaurado na cabeça e corpo do ambicioso personagem ditam o ritmo eletrizante dos arcos.


Há um prólogo que podemos definir como uma queda de braço entre o ceticismo e a ambição. O primeiro é o pensar inicial do protagonista que só apenas tendo o orgulho ferido se completa pela ambição de sua cruel esposa. Nos atos em seguida, vemos o clímax se dividir sob a questão da ação e a consequência. Um elo de interseção aqui nesse longa-metragem é o uso do preto e branco como imagem, até mesmo linguagem, ao lado do tempo, espaço, som. Coen parece buscar explorar o lado psicológico, como se as linhas dos personagens estivessem traçadas pela intensidade de suas características emocionais, a ganância até o fim, a dor até o fim, a culpa até o fim.   


Parece que estamos em um teatro, acho até que a intenção foi essa. Para quem não está acostumado com os profundos e reflexivos textos de Shakespeare pode achar o filme difícil, ou até mesmo chato. Mas não se engane por completo caro cinéfilo, dê uma chance ao filme e vá até o fim. Esse filme é muito reflexivo dentro de um recorte cirúrgico e completamente atemporal.

 

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