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Crítica do filme: 'Ambulância: Um Dia de Crime'


Os reflexos da iminência. Com roteiro baseado em um filme dinamarquês lançado em 2005 chamado Ambulancen, o novo projeto do cineasta californiano Michael Bay, Ambulância: Um dia de Crime, busca sua força na montagem, na edição, onde tudo fica muito dinâmico pensando nesse sentido. Há um foco bem detalhista nos personagens, esses com conflitos bem objetivos, uma dupla de irmãos completamente diferentes no modo de pensar a vida que tem o destino cruzado novamente, um movido pela ganância e o outro pela necessidade de conseguir dinheiro para pagar uma delicada operação para a esposa. Pode parecer que Ambulância: Um dia de Crime é um longo episódio daquelas séries ao melhor estilo 911, mas se olharmos mais profundamente os dramas se entrelaçam na ação sem perder o ritmo.

Na trama, conhecemos Will (Yahya Abdul-Mateen II), um ex-fuzileiro do exército norte-americano que se vê em uma situação muito difícil atualmente tendo que conseguir dinheiro para pagar a operação que a esposa precisa. Assim, acaba indo procurar trabalho com seu irmão Danny (Jake Gyllenhaal), um criminoso que já participou de mais de 30 assaltos a bancos, conhecido pelo alto escalão da polícia. Sem muitas opções, Will acaba entrando para a equipe de um próximo assalto o que desencadeia uma série de consequências que vão fazer parar as ruas de Los Angeles. Em paralelo a isso, conhecemos uma destemida paramédica de ambulância, Cam (Eiza González), que cruzará o caminho dos irmãos.


Adrenalina lá no alto, acordos improváveis, negociações conflituosas, rodopios nas câmeras,  alguns exageros (a gasolina por exemplo não acaba nunca!), vários elementos se tornam peças desse longa-metragem que possui um clima de tensão constante. Dentro dessa gangorra de emoções, o forte arco familiar, a relação conflituosa e cheia de memórias entre os irmãos. A partir dessa relação refletimos sobre ‘qual o sentido de se importar?’ tentando decifrar as ações e consequências pelo modo inconstante que ambos regem suas vidas. Há um leve avanço além da superfície sobre a questão do militar quando volta à sociedade e praticamente é esquecido pelo país por quem deu a vida. O sonho de ganhar dinheiro fácil na Califórnia acaba sendo o espelho de Danny, onde a ganância narcisista toma conta de suas atitudes jogando o bom senso para escanteio.


Num outro vértice do triângulo que protagoniza as ações nesse filme, vemos a frieza de uma paramédica que sofreu com vícios num passado recente e que busca ser a melhor na profissão que teve que escolher. Em falar em escolhas, muitas influentes pra trama passam por ela e na confusão que fica o pensar quando reagimos às questões impostas pela sociedade de ter que definir o vilão e o herói.


Ambulância: Um dia de Crime é uma baita surpresa dentre a barulhenta filmografia de Bay, um filme que busca a reflexão sem perder a essência de um cineasta que eleva decibéis de seus efeitos sonoros.


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