Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Me Tira da Mira'


A criatividade dentro da fórmula sempre complicada que é fazer rir. Depois de grandes trabalhos como assistente de direção e logo após outros tantos como diretor principal, o cineasta Hsu Chien volta aos cinemas nesse início de 2022 para apresentar um pot-pourri cinematográfico, uma trama que envolve suspense, ação, aventura, comédia e uma pitada de drama. Me Tira da Mira é um daqueles filmes que se tornam um grande RPG os olhos do público onde escolhemos o personagem que queremos seguir e acompanhamos na visão desse os conflitos, os mistérios, a ação, dentro de uma narrativa sem complexidade, simples, com referências ao mundo cinéfilo.


Na trama, conhecemos a policial civil Roberta (Cleo), uma mulher corajosa que está insatisfeita com seu chefe, tem conflitos com o pai, Jorge (Fábio Jr.), que é delegado da polícia Federal e tem um relacionamento pouco resolvido com o policial Rodrigo (Sergio Guizé). Ela acaba se envolvendo na investigação sobre a morte da atriz Antuérpia Fox (Vera Fischer), o que a faz conhecer uma suspeita clínica de realinhamento energético. Caminhando por muitos mistérios, vários personagens vão cruzar seu caminho, como a psicóloga cheia de problemas emocionais Isabela (Bruna Ciocca), entre outros.


Me Tira da Mira é um filme corajoso. Usa da comédia para explorar dramas existenciais, seja de sua protagonista e a relação até certo ponto conflituosa com o pai e o ex-namorado, até mesmo da psicóloga que persegue o crush, ou mesmo da atriz que envolve suas emoções aos abalos de confiança. Essa mistura de drama, comédia, suspense, ação, às vezes pode tornar tudo um pouco confuso mas de alguma forma há conexões, como se o espectador precisasse escolher um personagem e seguir pela sua ótica, o RPG mencionado lá no primeiro parágrafo. Você ri, se surpreende, tudo isso dentro de uma espécie de universo de narrativas colaborativas.


O roteiro, assinado por cinco pessoas, se joga na possibilidade de aproximar suas cenas, seus personagens, de frases ou paralelos com o lado de cá da telona. Um exemplo são algumas falas de Fabio Jr. que brinca com nomes de letras famosas de sua carreira. O projeto conta também com algumas referências ao universo cinéfilo, uma delas a personagem de Gkay, um paralelo com a inesquecível personagem da animação Os Incríveis, Edna Moda.


Hsu Chien, o maior dos cineastas cinéfilos aqui no Brasil, e seu fantástico esforço de buscar aproximar o público de personagens que tem pontas no cotidiano tornam Me Tira da Mira um filme cheio de possibilidades de interação, leve e louco sem pressa de acabar.

 


 

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...