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Crítica do filme: 'Boa Sorte, Leo Grande'


As quebras dos paradigmas por meio de interessantes diálogos. Dirigido pela cineasta australiana Sophie Hyde e com roteiro assinado pela britânica Katy Brand, Boa Sorte, Leo Grande fala sobre um embate amistoso de gerações, que também abre-se brechas para aprendizados, entre uma mulher na faixa dos 50 anos que só conheceu um homem na cama e um jovem que usa do corpo como ferramenta de trabalho. Ao longo das pouco mais de uma hora e meia de projeção, acompanhamos uma forte harmonia entre os personagens que se encontram por alguns dias no mesmo quarto de hotel. Parece que estamos na primeira fileira de uma peça de teatro onde os diálogos nos cativam e nos fazem refletir sobre os dois intrigantes personagens.


Na trama, conhecemos Nancy (Emma Thompson) uma viúva, aposentada, que depois de muito se sentir sozinha e após o falecimento do marido, resolve se hospedar em um quarto de hotel e contratar um profissional do sexo bem mais jovem que ela, Leo (Daryl McCormack), para lhe satisfazer os desejos. Só que essa professora, mãe de dois filhos adultos, não sabe direito, de início, como agir. Ao longo de muitas conversas que vão desde prazeres e fantasias sexuais até mesmo os conflitos familiares fora dali, os dois embarcam em diálogos e situações que os farão pensar com outros olhos sobre a vida.


O medo, a insegurança, as descobertas de uma nova vida (ou pelo menos uma maneira de viver) após anos vivendo sem graça. Dirigido pela cineasta australiano Sophie Hyde e com roteiro assinado pela britânica Katy Brand o longa-metragem que estreia nos cinemas brasileiros em meados de julho de 2022 busca sua referência nos escancarados conflitos de Nancy, uma mulher que lecionava educação religiosa entra em choque com paradigmas criados por todo uma vida mesmo quando resolve pelas próprias forças descobrir situações, viver conflitos, que jamais teve em sua vira metódica, controlada. Mas se engana quem pensa que o roteiro só segue uma parte desse rio. Leo também tem suas questões, mesmo muito seguro de suas atitudes e formas de enxergar os propósitos sobre a vida que leva, se deixa levar pela harmonia que possui com Nancy para acessar emoções profundas, as vezes até escondidas, o tirando completamente da zona de conforto.


Boa Sorte, Leo Grande atinge de maneira muito certeira o que propõe desde a primeira linha do roteiro: nos fazer refletir sobre relações humanas além de deixar nas entrelinhas que falar de sexo não deve ser um tabu, na verdade é sempre um grandioso aprendizado, até mesmo fora das quatro paredes. Ótimo filme!

 

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