Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Casa de Antiguidades'


Os caminhos do refletir, passando pelo sentir, em alegorias interpretativas. Selecionado para alguns festivais de cinema pelo mundo, inclusive o Festival de Cinema de Toronto e também o Festival de Cannes, Casa de Antiguidades gira em torna de um pacato e humilde trabalhador brasileiro que luta contra uma solidão profunda em um lugar onde ele sofre diariamente com o preconceito. Escrito e dirigido por João Paulo Miranda Maria, o projeto conta com uma maravilhosa atuação do veterano ator Antonio Pitanga.


Na trama, conhecemos um homem chamado Cristovam (Antonio Pitanga), um senhor de idade, nascido em Goiás, que trabalha em uma cidade diferente da que nasceu, fruto de uma oportunidade em uma empresa estrangeira chamada Laticínio Kainz situada agora em outro lugar no interior do Brasil. O filme já se inicia com absurdos trabalhistas que muitos sofrem diariamente, com reduções absurdas de salário feito por imposições de quem comanda. Sozinho nesse lugar, acaba sofrendo na pele o preconceito de outros moradores locais se afunilando em algumas decisões que mexerão demais com a sua caminhada.


Provocar o sentir é um dos objetivos desse filme profundo, onde nos jogamos no exercício de refletir sobre algo mais amplo. Conforme os conflitos vão se estabelecendo, o protagonista parece embarcar em uma jornada de resgate de suas memórias, ou pelo menos a tentativa de trazê-las para sua cruel realidade. O lado emocional aqui é um grande mistério interpretativo onde buscamos decifrar algumas intrigantes cenas que deixam a obviedade bem distante. O paralelo com a realidade chega mais forte nas questões trabalhistas, na crítica de um Brasil que quer se manter dividido, onde o pensar muda de lugar para lugar mas tendo o preconceito como uma manobra de crueldade.


Casa de Antiguidades não é um filme fácil. O real e o abstrato aqui ganham a mesma estrada e as interpretações podem ser variadas mas somente se você conseguir se conectar com essa história que fala de maneira clara sobre o racismo.  



Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...