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Crítica do filme: 'Elvis'


Não consigo evitar me apaixonar. Um dos filmes mais aguardados de 2022 finalmente chega as salas de cinema de todo o Brasil, Elvis, novo blockbuster do experiente cineasta australiano de 59 anos Baz Luhrmann é uma jornada por muitas fases da vida do inesquecível cantor e por muitas estradas onde sua trajetória e conflitos encontra a do controverso empresário coronel Tom Parker. Ao longo de impactantes 169 minutos de projeção vamos acompanhando desde a infância, suas referências, seus amores, seus dramas e a carreira meteórica marcada por recordes nunca mais alcançados. No papel título, o ator californiano Austin Butler marca de vez sua carreira com uma interpretação de tirar o fôlego.

Na trama, cheia de recortes de notícias, muito por conta do circo midiático que tinha em cima de sua vida profissional e pessoal, acompanhamos as primeiras referências musicais em Memphis de um jovem que seria uma estrela, um ícone, da música mundial, Elvis Presley (Austin Butler). O encontro com Tom Parker (Tom Hanks, em desempenho também brilhante) indicaria uma relação conflituosa de muitos anos, onde inúmeros sucessos foram criados, shows inesquecíveis foram realizados e calorosos conflitos foram vistos. Em meio ao sucesso, dramas começam a contornar a carreira da estrela mundial, que viveu várias fases e pressões para mudar seu jeito de ser em um mundo repleto de preconceitos, segregação racial, onde Elvis se tornaria uma importante voz além da música.  


Mostrar em um filme de menos de três horas, conflitos, grande parte da carreira, ascensão, declínios, de uma lenda da cultura pop é algo muito difícil. Luhrmann acaba pegando um atalho interessante, transformando a figura de um ganancioso empresário como sendo o narrador, os olhos de uma trajetória que marcou o planeta e gera discussões até hoje. Na verdade o roteiro vira dois rios, que a princípio paralelos, se convergem, mostrando visões, pensares, sobre muitas questões. Num primeiro momento há um resgate dos primeiros passos da inesquecível voz do sul dos Estados Unidos, com grande influência da música feita pelos negros em uma época de preconceitos, onde até mesmo havia divisões em show entre brancos e negros. Em sequência, os dramas familiares, com o pai sendo preso e sendo uma pessoa de pouca confiança aos olhos de muitos, com o forte laço com sua mãe, ganham contornos durante toda a fita. O amor chega de maneira inesperada, dentro do arco narrativo que mostra a ida de Elvis à guerra, uma imposição de políticos que não se agradavam com o mexe e remexe alucinante de seus shows. A consolidação de sua importância como artista mundial chega de forma impactante o levando a conflitos com seu empresário e a todos que o limitavam nos palcos.


Na continuação das linhas finais do parágrafo anterior, chegamos no que posso afirmar ser o grande clímax desse projeto. Onde nos perguntamos e vemos respostas sobre: ‘Qual o papel do artista em relação ao mundo que o conhece?’ Essa discussão é feita até hoje e contorna muito do filme de Luhrmann. Elvis busca se impor a pressão de uma sociedade conservadora, onde quem comanda quer controlar, quer que o destaque se torne algo moldado dentro de um pensamento que interrompe os avanços que precisamos ter como seres humanos. Muitas vezes sozinho em seu pensar, entre um show e outro, se vê cercado por um empresário impostor que só quer lucrar com sua figura a qualquer preço. Nesse momento, quando cai a ficha, os poucos amigos que pode confiar, além de sua amada esposa Priscila, acabam ajudando. Uma ótima sequência mostrada no filme, a amizade com o grande BB King, o leva ao refletir sobre várias questões.


Perto dos 40 anos, o Rei do Rock and Roll chega ao seu limite, situações que o levaram a um quadro do qual nunca sairia, preso em contratos que nem sabia, viciado em remédios, sendo uma marionete nas mãos de um inescrupuloso empresário. Argumentos não faltam para nos fazer pensar sobre os responsáveis pela sua chegada a um labirinto sem saída.


Baz Luhrmann consegue o improvável, colocar mais ingredientes, resgatar sua forte personalidade, para tornar Elvis mais vivo do que nunca para toda uma nova geração que se pergunta a todo instante: qual o papel do artista em relação a tudo que acontece ao seu redor.


 

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