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Crítica do filme: '45 do Segundo Tempo'


As estradas da vida e as maneiras como olhamos pelo retrovisor. Buscando o elo de interseção em um dos sentimentos de grande afeição de conhecimento das relações, a amizade, o longa-metragem brasileiro 45 do Segundo Tempo, de forma leve e descontraída nos leva para uma jornada de resgate de uma amizade entre três amigos palmeirenses que de certa forma passam por grandes conflitos no presente. A rivalidade Palmeiras x Corinthians, reflexões sobre as trajetórias até aquele ponto da vida, pensamentos sobre a fé, teorias sobre a morte, o luto, a paternidade, conflitos nos relacionamentos, o sexo no casamento, sexualidade, vamos caminhando pelo modo de pensar desses três interessantes personagens que deixam muitas lições nas suas trajetórias. O projeto é dirigido pelo cineasta paulista Luiz Villaça.


Na trama, conhecemos Pedro (Tony Ramos), um homem que chegou ao limite de suas emoções e do seu pessimismo em relação ao mundo. Aos poucos foi perdendo o prazer de viver, cheio de dívidas, sem conseguir um novo empréstimo no banco está prestes a perder o estabelecimento da família, a Cantina Baresi, um restaurante italiano que está aberto faz mais de 50 anos, fundado pelo seu avô que veio da Itália sozinho e montou o negócio com todo seu esforço. Certo dia, acaba reencontrando dois grandes amigos, Ivan (Cássio Gabus Mendes) e Mariano (Ary França), para uma reportagem baseada em uma foto que ele e seus amigos tiraram no metrô na inauguração do mesmo, em 1974 (cerca de 40 anos atrás). O primeiro é um bem sucedido advogado, o segundo virou padre. Os três vão tentar reacender a chama dessa amizade entre longas conversas sobre suas visões e pensamentos sobre o mundo que vivem, a partir do desejo de morrer em breve de um deles.


O roteiro faz uma jornada interessante em relação a ótica sobre o protagonismo. Há uma tentativa de ser profundo para cada personagem e a partir disso buscar reflexões mundanas dentro de um belo encaixe no choque de gerações (aqui, no caso, os personagens em confronto com o tempo presente). Os embates de uma geração do passado, com seu modo conservador de pensar sobre alguns temas geram ótimos diálogos, nada diferente do que podemos ver em qualquer esquina, o que nos aproxima da realidade. As conversas sobre futebol, por mais que o título faça óbvia referência, aqui acaba sendo um background, um plano de fundo.


Qual o melhor momento de toda uma história? O olhar para a vida de modo mais triste é um dos pontos de partidas para um raio-x dessas personalidades. As crises existenciais, dentro do muito se perguntarem sobre sentidos e principalmente seus lugares no mundo, ganham arranjos melancólicos pelas ruas de São Paulo e em lugares que significaram muito para cada um deles. A amizade e o resgate da mesma, coloca em xeque os modos de pensar, pensamentos congelados sobre os valiosos valores da vida se apresentam como segundas chances em um mundo dinâmico onde errar faz parte de todas as histórias. 45 do Segundo Tempo busca reflexões sobre conexões humanas em um mundo atual conectado pelo digital mas distantes, muitas vezes, das mais simples formas de entenderem o real significado de felicidade.



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